Sem partido, Marina diz que torce por Dilma

Depois de se desfiliar do PV, ex-senadora afirma que sociedade deve apoiar presidente se ela mostrar disposição de ir a fundo na luta contra corrupção

Roldão Arruda e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2011 | 00h00

Em seu primeiro dia fora do PV, a ex-senadora Marina Silva disse ontem ao Estado que torce pelo sucesso do governo da presidente Dilma Rousseff e que a sociedade deve apoiá-la e resistir ao seu lado no caso de ela mostrar disposição de esclarecer as denúncias e escândalos que envolvem políticos ligados a seu governo.

"Trabalhei com a Dilma durante cinco anos, ela é a primeira mulher presidente da República e eu torço para que o seu governo dê certo. Estou preocupada com o que está acontecendo, como a perda de dois ministros no início de governo e todas essas denúncias gravíssimas", afirmou. Para a ex-senadora, o melhor caminho seria esclarecer os fatos: "Quais são os vínculos, os enraizamentos dessas denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes? As pessoas envolvidas estão politicamente ligadas a quem? Essa leitura precisa ser feita. Essas ramificações precisam ser encontradas. Não se encontra uma folha que não tenha raiz."

Para Marina, a sociedade precisa apoiar iniciativas nessa direção. "Se a Dilma resistir, é claro que temos de resistir com ela."

A ex-senadora, que ficou em terceiro lugar na eleição presidencial do ano passado, com 19,6 milhões de votos, não concorda com a ideia divulgada por partidos de oposição de que os problemas de Dilma constituam uma herança maldita deixada por seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. "O que acontece com Dilma já aconteceu com o Lula, com o Fernando Henrique Cardoso, com o Collor de Mello. Historicamente falando, essa herança maldita faz parte da cultura política que foi se estabelecendo no Brasil."

Mobilização. Ela acredita que a situação do País, com o descrédito cada vez maior dos partidos, pode abrir espaço para grandes mobilizações públicas fora do espaço institucional. "Não é de duvidar que essa situação caótica, na qual estamos metidos, em termos políticos, abra espaço para grandes mobilizações a favor daquilo que eu definiria como um sol na nossa realidade, capaz de criar bases para que a presidente tenha oxigênio para fazer uma gestão voltada para os interesses do País, em vez de ficar voltada para a agenda miúda dos cargos, dos interesses pequenos."

Marina anunciou sua desfiliação do PV na quinta-feira, em São Paulo, durante evento que reuniu simpatizantes e colaboradores de sua campanha. Ela deve se dedicar agora à organização de um movimento suprapartidário em defesa de propostas para o desenvolvimento sustentável do País e a articulações políticas que podem resultar ou não na criação de um partido. Além de integrantes do PV descontentes com a atual situação do partido, ela citou entre seus interlocutores os deputados Alessandro Molon (PT-RJ), José Antônio Reguffe (PDT-DF) e Luiza Erundina (PSB-SP). Ela mencionou ainda o senador Pedro Taques (PDT-MT) e a ex-senadora e vereadora de Maceió Heloísa Helena (PSOL).

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