Seminário amplia debate da Lei de Acesso à Informação

Dominada pela discussão sobre o sigilo eterno de documentos públicos, a Lei de Acesso à Informação que tramita no Congresso vai muito além da divulgação de dados antigos. A liberdade de consulta a dados atuais do governo, que incluem gastos, salários, números de programas e outras informações que deveriam estar disponíveis é uma questão central da lei ainda pouco debatida.

Lisandra Paraguassu / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2011 | 00h00

Um seminário - organizado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) -, reúne hoje e amanhã, em Brasília, especialistas no tema para discutir experiências recentes no resto do mundo e que podem servir de exemplo para o Brasil.

Entre os participantes do seminário há especialistas de países como África do Sul e México, que iniciaram sistemas de acesso à informação nos últimos dez anos, e também dos Estados Unidos, pioneiro no assunto.

Transparência. Uma das maiores questões hoje é como tornar públicos esses dados. Se a lei for aprovada, o governo terá de ampliar, e muito, as informações de governo disponíveis. São dados de gastos públicos que hoje só são obtidos sem detalhamento ou por meio de parlamentares que têm acesso a um site fechado para o público em geral. Até mesmo números sobre salários são restritos e, em alguns casos, tratados como segredo de Estado.

Uma análise dos casos mais recentes de acesso à informação feita pela Unesco mostra que a internet hoje é o melhor caminho. A partir do momento em que as informações são colocadas na rede mundial de computadores não é preciso criar departamentos, secretarias ou qualquer estrutura burocrática para permitir o conhecimento de informações que devem ser públicas.

Outra questão que deve ser debatida no seminário é como e quem deve decidir o que deve ser mantido em sigilo. Normalmente há restrições de acesso a informações que coloquem em risco questões de soberania, fronteiras ou possam causar insegurança ao país. No entanto, é preciso definir quem será o responsável por essa avaliação e quem o indicará. A avaliação da Unesco é de que essa responsabilidade não pode caber ao governo, mas a um órgão independente.

Serviço

SEMINÁRIO INTERNACIONAL ACESSO A INFORMAÇÃO, HOJE E AMANHÃ, DAS 9 ÀS 18 HORAS, EM BRASÍLIA. PROGRAMAÇÃO DE HOJE: DAS 10 ÀS 13 HORAS, DEBATE SOBRE O TEMA O DIREITO A INFORMAÇÃO EM PERSPECTIVA COMPARADA, COM PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTES DO MÉXICO E DA ÁFRICA DO SUL; DAS 15 ÀS 18 HORAS, DEBATE SOBRE OS DESAFIOS PARA UMA EFETIVA IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMAS DE ACESSO A INFORMAÇÃO PÚBLICA, COM PARTICIPAÇÃO DO REPRESENTANTE DA UNESCO.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.