Paulo Vitor/AE
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Serra ataca 'justiça dos companheiros'

Em campanha na praia de Copacabana, presidenciável tucano volta a falar dos escândalos ligados ao PT e cobra punição aos envolvidos

Luciana Nunes Leal, Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2010 | 00h00

O temido confronto entre petistas e tucanos, ontem, não aconteceu e o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, fez campanha na praia de Copacabana com um inflamado discurso contra o governo Lula e o PT. Destacou os "três ou quatro escândalos por semana" que atingem aliados da candidata petista, Dilma Rousseff, atacou a "justiça dos companheiros" e cobrou punição para os envolvidos.

O tucano, que aposta em um tom mais duro contra os adversários nesta reta final, criticou Lula pelo envolvimento na campanha de Dilma e fez um contraponto com a atitude "digna" dos ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso em eleições passadas. Segundo Serra, o atual governo foi deixado de lado. "A justiça dos companheiros é sempre mais suave, lenta, que não anda, que é obstruída. Veja o que aconteceu com o dossiê dos aloprados, com todos esses escândalos. Ninguém na cadeia até hoje", discursou Serra.

"Temos que olhar o governo como entidade de todos e não de um partido, de um grupo de interesses. Itamar e Fernando Henrique presidiram a transição de governo com dignidade. Não houve transgressão. O presidente Fernando Henrique não foi além de declarar o seu voto (nas eleições de 2002). Hoje temos o contrário: o governo deixado de lado, para se encarnar em um partido, em uma candidatura. Precisamos ter no Brasil o modelo da honestidade e da verdade. Chega de escândalos. Fica até difícil recapitular, são três ou quatro por semana", afirmou.

Em um carro de som, Serra fez um discurso de dez minutos, depois de ouvir aliados como o ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB) e o ex-presidente Itamar Franco (PPS), eleitos senadores por Minas Gerais, além dos governadores eleitos Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Beto Richa (PSDB-PR) e Rosalba Ciarlini (DEM-RN), todos na linha do resgate da ética e combate à corrupção. O ex-presidente Fernando Henrique não compareceu.

A campanha tucana exibiu uma gravação do jurista Hélio Bicudo, ex-petista, que declarou apoio a Serra no segundo turno. No depoimento, Bicudo usa termos como "aviltante", "repugnante" e "insulto e escárnio" ao falar do governo Lula.

Privatizações. Os aliados tucanos se preocuparam em desmentir notícias de que, se eleito, Serra retomaria as privatizações. "Não privatizei a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal. Quem pode dizer que, se ela (Dilma) chegar lá, não pode fazer isso", questionou Itamar. Serra também citou a estatal. "Defendo a Petrobrás como uma empresa estatal que deve servir ao povo brasileiro e não como cabide de emprego, como instrumento de negócio", afirmou.

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli negou que haja aparelhamento da empresa. "Não acho que seja verdadeiro. Se houver alguém que não está desempenhando corretamente o que deve fazer, deve ser afastado. Ele (Serra) pode ter a opinião dele. É legítimo. Está em campanha e pode dizer isso", disse Gabrielli, que participou de um encontro de sambistas em Copacabana, após o comício de Serra.

Os organizadores da programação tucana no Rio comunicaram a realização da caminhada à Prefeitura e ao governo do Estado, na semana passada. Por isso, o policiamento foi além do esquema normal dos domingos e feriados.

Depois da briga entre militantes do PSDB e do PT em Campo Grande, na quarta-feira, havia temor de um novo incidente, mas os petistas atenderam à recomendação do partido e não foram à manifestação tucana. Mesmo assim, Serra desistiu da caminhada, prevista inicialmente. Cercado por simpatizantes, políticos, jornalistas e seguranças, o tucano não conseguiu circular pela pista da praia. Serra e os aliados foram acomodados em um carro de som, mas reduziram o trajeto de quatro para menos de um quilômetro.

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