Sete PMs são acusados de extorsão no Paraná

Policiais da região metropolitana de Curitiba estariam extorquindo um empresário de Piraquara, que também denunciou que teve a sua casa invadida durante a noite

Evandro Fadel, O Estado de S. Paulo

10 Março 2011 | 15h49

CURITIBA - A Polícia Militar (PM) do Paraná prendeu preventivamente quatro integrantes da corporação sob acusação de extorsão contra um empresário de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. Outros três são considerados foragidos. Os mandados de prisão foram cumpridos no fim de semana, mas confirmados somente nesta quinta-feira, 10. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para apurar tanto a extorsão quanto o possível roubo qualificado, o que daria pena de até quatro anos de reclusão. Administrativamente, os acusados podem ser punidos com a exclusão da PM.

Segundo a denúncia do empresário, no início de fevereiro ele teria vendido um terreno e comentara com algumas pessoas. Policiais que atendem municípios na região metropolitana teriam descoberto que ele tinha dívidas com a Justiça e três deles foram até sua casa exigindo o dinheiro. Com medo e sob ameaça, o empresário entregou-lhes pouco mais de R$ 8 mil. Ele ainda teria sido levado a um local ermo, onde foi ameaçado de morte, caso denunciasse. Por isso preferiu manter-se calado.

No entanto, alguns dias depois, outros quatro policiais teriam invadido sua casa à noite. Eles também exigiram dinheiro. Como ele afirmou que não tinha mais nada, os invasores acabaram roubando computador, televisão e outros objetos eletroeletrônicos. Após essa invasão, o empresário resolveu fazer a denúncia. O comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Maurício Tortato, disse que o caso chegou ao conhecimento da PM no dia 26 de fevereiro.

Após investigações, foi tomada a decisão de pedir a prisão preventiva dos acusados para facilitar a coleta de provas e garantir a segurança do empresário. "Pareceu-nos de forma muito consistente que os fatos existiram e que as ameaças eram reais", disse o tenente-coronel. Segundo ele, a representação foi feita à Justiça Militar, em razão de os policiais estarem em horário de serviço, fardados e utilizando veículos da PM.

Os policiais acusados têm menos de quatro anos de serviço, mas apenas dois não respondem a processo criminal. "Infelizmente os policiais respondem a alguns processos em andamento e outros que já foram encaminhados para a vara da auditoria e estão sendo apreciados", disse o comandante.

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