Setores metalúrgico, portuário, petroleiro e bancário são os mais atingidos pelas manifestações

Ao menos quatro refinarias foram afetadas; na região da Avenida Paulista, cerca de 50 agências bancárias estão fechadas, segundo sindicato

Atualizado às 13h54, O Estado de S. Paulo

11 Julho 2013 | 11h00

SÃO PAULO - As greves e manifestações que ocorrem nesta quinta-feira, 11, nas principais cidades do País, dentro do movimento que está sendo chamado de Dia Nacional de Luta, atingem sobretudo os setores metalúrgico, portuário, petroleiro e bancário. A greve foi convocada pelas principais centrais sindicais do Brasil (CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, UGT e Conlutas, além do Movimento dos Sem-Terra).

Os principais acessos ao Polo Industrial de Cubatão e ao Porto de Santos foram bloqueados por volta das 5 horas. Os bloqueios, liberados por volta das 11h, ocorreram na entrada da cidade, na Avenida Martins Fontes, altura do Cemitério do Saboó e prejudicaram a movimentação de veículos que se dirigiam à Via Anchieta. Os trabalhadores só acessaram as 22 indústrias que integram o parque industrial de Cubatão a pé. A Rodovia Cônego Domênico Rangoni, na Baixada Santista, também ficou fechada até o meio-dia, impedindo a passagem de caminhões e carretas que acessam os terminais marítimos da margem esquerda do porto, no Guarujá.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes programou uma passeata que partiu às 5h30 do bairro Santo Amaro em direção à Ponte do Socorro. Diversas vias foram interditadas.

Em Pernambuco, trabalhadores de três centrais sindicais começaram a bloquear os três acessos do complexo industrial e portuário de Suape, no município de Ipojuca, a 55 quilômetros do Recife. Nenhum veículo nem ônibus que transportam trabalhadores puderam entrar no complexo, onde trabalham 75 mil pessoas - 25 mil em 105 empresas em operação e 50 mil em 50 empresas em construção. Não houve conflitos.

Petroleiros. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) preveem interromper as atividades por um prazo de 24 horas, mas sem efeito direto nas operações das companhias, caso da Petrobrás. A Petrobrás já informou, em nota, que adotará as "medidas necessárias" para garantir a normalidade de suas operações. Com isso, acredita que não sofrerá com "qualquer prejuízo às atividades da empresa e ao abastecimento do mercado".

Petroleiros paralisaram serviços de manutenção e bombeio na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense, no Rio, às 7 horas. Trezentos e vinte e cinco trabalhadores, das áreas operacional e administrativa, se reuniram em assembleia na porta do complexo e decidiram não entrar.  O grupo que havia entrado para trabalhar à 0 hora, cerca de cem pessoas, foi mantido em seus postos sem rendição. Em Caxias, também pararam a Termelétrica Governador Leonel Brizola, o terminal da Transpetro de Campos Elíseos, a Liquigás e a BR Distribuidora. Só os serviços de operação diários estão mantidos. O mesmo acontece nas plataformas de petróleo.

Nova reunião será realizada na troca de turno das 15 horas. Em seguida os trabalhadores virão para o centro do Rio para se juntar à manifestação marcada para as 17 horas. Às 23 horas as operações deverão ser normalizadas. “Os estudantes foram para as ruas e conquistaram o que queriam. Agora é a vez dos trabalhadores. Queremos avançar nas melhorias das condições de trabalho no Brasil”, disse o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio (Sindipetro), Simão Zanardi Filho. As bandeiras são a não-aprovação do PL 4330, que regulariza terceirizações, a suspensão dos leilões de petróleo no País e a redução da jornada de trabalho dos terceirizados de 44 horas para 40 horas.

Em São José dos Campos (SP), apenas 400 trabalhadores trabalham na Refinaria Henrique Lages (Revap). Eles teriam chegado antes do bloqueio dos sindicalistas, por volta de 3h da madrugada. Os 3 mil funcionários terceirizados foram dispensados pelo sindicato. “O que tem lá dentro é a equipe de contingência”, disse um sindicalista. Outros cerca de 800 trabalhadores efetivos da Revap devem permanecer em casa nesta quinta-feira. Durante todo o dia membros do sindicato continuarão o bloqueio no acesso a refinaria que tem cinco portarias e emprega um total de mais de 4 mil trabalhadores.

Em Paulínia (SP), os trabalhadores da construção civil e petroleiros não entraram para trabalhar na Refinaria do Planalto (Replan).

No Paraná, a greve geral paralisou as atividades da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, e houve um bloqueio parcial da rodovia do Xisto, que dá acesso à Repar.

Bancos. O movimento também tem a adesão de trabalhadores de bancos. Segundo a assessoria de imprensa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, há aproximadamente 50 agências fechadas na região da Avenida Paulista. De acordo com a presidente do sindicato, Juvandia Moreira, os trabalhadores precisam se mobilizar para conquistar avanços. "Os bancários estão juntos nessa luta."

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), braço sindical da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), afirmou por meio de sua assessoria que considera qualquer paralisação "desrespeito à lei". "As paralisações desrespeitam a lei de greve, uma vez que os bancos e bancários não estão em negociação salarial e têm uma convenção coletiva vigente", disse a assessoria. Consultados, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú preferiram não comentar as declarações da assessoria da Fenaban. Ao meio-dia, está marcado um ato de concentração dos bancários no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

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