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Situação no Acre deve se normalizar em três anos, calculam entidades

Itaan Arruda - Especial para O Estado

08 Abril 2014 | 19h 19

Isolamento imposto pela cheia do Rio Madeira mostra vulnerabilidade da economia acreana; empresários não admitem publicamente, mas cenário é preocupante

RIO BRANCO - Um documento produzido por nove entidades empresariais do Acre, com destaque para a Federação da Indústria, Federação do Comércio, Federação da Agricultura e Federação das Associações Comerciais, calcula que a economia do Estado voltará ao normal em, no mínimo, três anos. Isolamento imposto pela cheia do Rio Madeira mostrou a vulnerabilidade da economia acreana. Os empresários não admitem publicamente, mas o cenário é preocupante.

"Eu não gosto de falar sobre números sem estar embasado por pesquisa, mas diria que vai demorar um bom tempo para a situação se normalizar", ponderou o presidente da Associação Comercial do Acre, Jurilande Aragão.

Aragão cita exemplos de distribuidores de porte médio que já contabilizam prejuízos da ordem de R$ 300 mil. Ele avalia que ainda é cedo para se falar em desemprego, mas sabe que a economia está mais fragilizada. "Vamos deixar as coisas acontecerem para poder falar em desemprego", esquivou-se. "Não tenho ouvido falar em demissões, mas a situação precisa mudar urgentemente, senão muita gente grande vai começar a ruir", avalia o presidente da Fecomercio do Acre, Leandro Domingos.

Um dos problemas estruturantes da economia do Acre é que a maior parte das empresas opera sem capital de giro. Com a falta de mercadorias, sem vendas e com os títulos e duplicatas vencendo, o cenário do comércio não poderia ser pior. O documento elaborado pelo grupo contabiliza que deixaram de circular no Acre nesses 20 dias de isolamento cerca de R$ 834 milhões. "O que está acontecendo aqui não aconteceu em nenhum outro lugar do País", comparou o presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviço e Agrícola do Acre (Acisa).

Somente em março, deixaram de ingressar no Acre 77,11% de mercadorias tributáveis, comparado ao mesmo período de 2013. A Secretaria da Fazenda (Sefaz) já admitiu que houve queda pela metade na receita de ICMS no primeiro trimestre de 2014, comparado ao mesmo período do ano passado.

Isolado. O Acre só possui uma ligação terrestre com o restante do País, a BR-364. A estrada está submersa em um trecho de mais de 20 quilômetros. O governo do Acre tem garantido a travessia de caminhões que são puxados por tratores em uma operação arriscada. Uma equipe do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) foi nesta segunda-feira, 7, para as regiões mais críticas para fazer nova avaliação. Depois, o governador Tião Viana reuniu a classe empresarial para fazer um diagnóstico da situação.

Empresários com melhor condição já enviaram balsas de Porto Velho até o município de Boca do Acre (Sul do Amazonas) em uma viagem de até 18 dias. Outros empresários avaliam a possibilidade de fretar aviões. O Acre só não está completamente desabastecido de produtos básicos por causa da ajuda do governo federal, que disponibilizou aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e permitiu ao Acre até a comercialização de combustível com o Peru, utilizando a rodovia interoceânica.