SP corta verba da varrição e Kassab culpa antecessores

Na cidade, 1,3 mil km de vias estão sem limpeza; sujeira amplia efeitos das enchentes

Cristiane Bomfim e Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

09 Setembro 2009 | 00h00

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem não ter reduzido os investimentos para controle de enchentes em São Paulo - apesar dos cortes recentes feitos no orçamento da limpeza pública - e atribuiu a responsabilidade do problema ao pouco investimento feito pelos seus antecessores. "A Prefeitura está preparada de acordo com a dimensão dos investimentos na cidade nos últimos 50 anos", justificou o prefeito.

Ele negou que os pontos de alagamento tenham relação com cortes na limpeza pública. "A Prefeitura deve estar preparada para as enchentes. Não. A Prefeitura deve estar preparada para as chuvas. É evidente que, em uma cidade como São Paulo, ela tem as suas dificuldades na convivência com a chuva", disse o prefeito, por volta de meio-dia de ontem.

O corte no orçamento da limpeza foi de 20% neste ano. Com a medida, deixaram de ser limpos o equivalente a 1.388 quilômetros de vias - grande parte está localizada na região central e no centro expandido da capital. A verba cortada é de R$ 54 milhões.

A Prefeitura alega que o contingenciamento de verba ainda não foi aplicado e que a relação entre diminuição na limpeza e aumento do lixo nas ruas não pode ser feita. Outra alegação da gestão é que há vários "pontos viciados" de descarte irregular de lixo na cidade. Segundo a administração municipal, as subprefeituras ainda negociam com as concessionárias um novo plano de varrição das ruas.

REALIDADE NO CENTRO

Na região da Rua 25 de Março eram os ambulantes que recolhiam os restos amontoados nos bueiros. "Se não fizermos isso, entope tudo, a água sobe demais e não deixa ninguém passar", disse o ambulante Phil Weber. Segundo ele, até as 15 horas de ontem, apenas um varredor havia passado pela principal rua comercial da cidade. "Ele não dá conta e a gente acaba fazendo o trabalho que é responsabilidade da Prefeitura."

O lixo se espalhou pelo centro. Na Praça Fernando Costa, na frente do Terminal do Mercadão, sacos plástico, caixas de papelão, garrafas PET e muito papel ocupavam a calçada. No Largo do Paiçandu, lixo era visto por todos os lados.

Kassab prometeu punir as empresas que descumprirem os contratos do lixo. "A Prefeitura está se esforçando para que haja um rigor muito grande em relação às empresas concessionárias (de limpeza urbana) que prestam serviço à cidade de São Paulo. Elas têm compromissos contratuais e, portanto, aquelas que não cumprirem seus deveres serão penalizadas." Segundo Kassab, os contratos com as empresas serão analisados para não haver "leviandade".

VERBA

O combate às enchentes realizado com dinheiro dos cofres da Prefeitura de São Paulo consumiu de janeiro a julho deste ano um total de R$ 132,8 milhões, ante R$ 112,3 milhões desembolsados no mesmo período do ano passado. Entre dez principais ações na área de prevenção às enchentes, o Executivo municipal não gastou neste ano nenhum centavo dos R$ 87.325 orçados para a conservação e manutenção de canais e galerias, por onde escoa a água.

Diariamente, as empresas que fazem a limpeza da cidade varrem 6.941 km de ruas. São 1,88 milhão de metros quadrados de calçadas que os garis percorrem. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação (Siemaco), desde que foi anunciado o corte, as empresas demitiram 1.600 funcionários.

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