SP de 6ª a domingo. Por Sílvia Buarque

Peça em cartaz faz atriz trocar o Jardim Botânico (Rio) pela cidade nos fins de semana: ?Estou em idílio com São Paulo?

Márcia Vieira, O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

Sílvia Buarque, de 38 anos, traz no sangue um pouco da paixão do avô, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, por São Paulo. "Ele era superpaulistano. Amava essa cidade." Carioca, a atriz está em cartaz no Sesc Anchieta com a peça Um Dia, no Verão, do norueguês Jon Foss, ao lado de Renata Sorrah. Chega sexta de manhã e vai embora domingo à noite. "Estou numa fase de idílio com a cidade. Adoro o público paulistano. Ele é muito mais atento que o carioca." A grande diferença, segundo ela, está no comportamento da platéia. "Em São Paulo prestam mais atenção, as pessoas são mais concentradas. A gente sai do palco todas as noites agradecendo ao público." Sempre com brilho nos olhos quando fala sobre teatro e sobre a temporada na cidade, Sílvia só perde o sorriso quando lembra do também carioca Paulo Autran, outro amante de São Paulo, que morreu no fim da manhã de sexta-feira. "Infelizmente nunca trabalhei com ele", diz. "Era um mestre." Depois de tantas passagens por São Paulo, sempre por causa do teatro, a filha do compositor Chico Buarque e da atriz Marieta Severo tem seus cantos favoritos na cidade. "Odeio esses bairrismos, São Paulo contra Rio, Brasil contra Argentina. Bom é aproveitar o que os dois lados oferecem. Como carioca, fico meio deslumbrada com a Rua Oscar Freire." Nessas horas, compra muito. "Meu lado perua e consumista aflora. Gosto da variedade de grifes que a gente não tem no Rio. Outro dia, fui na loja da estilista Cris Barros. Gostei muito." Mas ficou com a sensação de que não estava vestida adequadamente. Como adora caminhar por São Paulo, sai sempre do hotel de tênis e camiseta, algo normal em Ipanema, bairro que concentra o comércio chique do Rio. "Aqui é diferente. Sempre me sinto meio malvestida quando entro nas lojas." A sensação passa rápido. Da Oscar Freire, segue para a Rua Augusta. É fã da Galeria Ouro Fino. Aos domingos, gosta de passear no Masp e dar uma olhada na feirinha de antiguidades. "Já comprei um anel maravilhoso. Tem sempre coisa diferente." A cidade também desperta em Sílvia o pecado da gula. "Amo comer. Sou magra por sorte. Quando chego aqui, fico deslumbrada com os restaurantes." Geralmente almoça no Capim Santo. Adora o Arábia. "É o melhor árabe que eu conheço." Com o tio Sérgio, come polpetone no tradicional Jardim di Napoli. "Sou apaixonada também pelo Le Vin. Muito charmoso." Sua última descoberta foi o Boa Bistrô. Na temporada que passou em São Paulo em 2002 com a peça Casa de Boneca, chegou a engordar alguns quilos. Na época, ainda não era mãe da pequena Irene, de 2 anos, e não tinha pressa de voltar para casa no Rio. "Podia passar mais tempo aqui e curtir o lado cultural da cidade." Apesar da forte ligação do seu avô com a cidade, Sílvia tem certeza que a Vila Buarque, no centro, não tem nada a ver com a família. E se diverte com a história de que há um tempo quiseram mudar o nome do lugar para Vila Chico Buarque, para revitalizar a área. "Será que acham que ele faz milagres?" O único problema nesta temporada paulistana é a ponte aérea. Sílvia tem medo de avião. No dia 5, o avião em que estava arremeteu na pista de Congonhas. "Depois daquele acidente da TAM arremeter virou um pesadelo, né?" Foram cinco minutos de pavor até o desembarque. Sílvia torce para que o projeto do trem-bala saia do papel. "Eu estou totalmente esperando o trem", diz, parodiando um verso de Pedro Pedreiro, música de Chico.

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