SP registra 1% dos homicídios do mundo

Relatório da ONU destaca aumento da violência de facções criminosas

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

01 Outubro 2007 | 00h00

São Paulo tem 1% dos homicídios de todo o mundo e, no Brasil, 100 pessoas morrem por dia, em média, vítimas de armas de fogo. A capital paulista e o Rio representam metade dos crimes violentos no País. Os dados fazem parte de um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo o qual a violência das facções criminosas em São Paulo e no Rio já se tornou rotineira. O levantamento compila e avalia, pela primeira vez, cerca de 200 estudos já produzidos nos últimos anos sobre violência pela ONU e outras instituições. Os dados são de anos distintos e baseados também em informações da imprensa. Os indicadores econômicos foram obtidos do Banco Mundial. "O relatório mostra que a violência urbana está aumentando em todo o mundo, mas isso é mais forte na África e América Latina", afirma Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU. Entre 1970 e hoje, a taxa de homicídios em São Paulo quadruplicou; a do Rio, triplicou. Em 1999, São Paulo registrou 11,4 mil assassinatos, 17 vezes mais que Nova York. Em 2001, a taxa de homicídios no Rio foi de 45 a cada 100 mil pessoas. Na América Latina, onde a taxa é a mais alta entre todas as regiões, a média naquele ano foi de 25 homicídios para cada 100 mil habitantes, contra 8 por 100 mil em toda a Europa e 7 por 100 mil em Nova York. No mundo, a taxa de homicídios subiu 30% desde 1980, passando de 2,3 crimes para 3 por 100 mil pessoas no início da atual década. O relatório faz uma comparação com a Colômbia para apontar a gravidade da violência no Rio. Entre 1978 e 2000, 49,9 mil pessoas foram assassinadas nas favelas cariocas. No mesmo período, 39 mil pessoas foram vítimas de homicídio em toda a Colômbia. Segundo a ONU, a violência no Brasil tem um perfil jovem. Dois terços dos crimes envolvem pessoas de até 25 anos, e a ONU alerta que crianças de 6 anos já fazem parte de quadrilhas com a função de carregar drogas. De fato, a taxa de homicídios entre os jovens brasileiros é uma das mais altas - 32,5 casos por 100 mil habitantes. Nessa faixa etária, porém, a liderança é da Colômbia, com 84 homicídios para cada 100 mil pessoas. O documento afirma que os jovens são as principais vítimas da violência em todo o mundo. Um dos fatores é a existência de 74 milhões de jovens desempregados. Pobreza, desemprego, desigualdade social e explosão demográfica das cidades estão entre as explicações para o aumento da violência não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, diz o relatório. Em média, 60% dos habitantes de cidades localizadas em países pobres foram vítimas de algum tipo de violência nos últimos cinco anos. Na América Latina, a taxa supera 70%. A região tem ainda o maior índice de roubos - quase 450 para cada 100 mil habitantes. NÚMEROS 11,4 mil pessoas foram assassinadas em São Paulo em 1999, 17 vezes mais do que em Nova York 45 homicídios por 100 mil pessoas foi a taxa registrada no Rio em 2001; na América Latina, foram 25 casos para cada 100 mil habitantes 49,9 mil pessoas foram vítimas de homicídio nas favelas do Rio entre 1978 e 2000

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