TAM decide não pousar com reverso travado em pistas curtas

Empresa admite ser perigoso operar com aviões que não possam usar o acionamento dos reversos das turbinas

Tânia Monteiro, do Estadão,

31 Julho 2007 | 00h04

A companhia aérea TAM decidiu que seus aviões não voam mais com o reverso das turbinas pinado. A regra vale para todos os vôos, mas é considerada exigência fundamental para operações de aterrissagem e decolagem em aeroportos com pistas curtas, como os de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio. A partir de agora, a TAM só admite voar com o reverso pinado (travado) em aviões que façam escalas apenas em aeroportos com pistas longas e com grandes áreas de escape.   A decisão, que já é do conhecimento da Aeronáutica, e foi confirmada pela própria empresa ao Estado, significa, na prática, que a TAM admite ser perigoso operar em pistas curtas com aviões que não possam usar, como último recurso de segurança, o acionamento dos reversos das turbinas.   Segundo as primeiras informações da degravação dos dados da caixa preta, no acidente com o vôo JJ 3054, no último dia 17, o piloto do Airbus A320 da TAM aterrissou na pista principal de Congonhas, que tem apenas 1.940 metros, e, entre outros motivos, por não conseguir usar o reverso da turbina direita, que estava pinado, acabou perdendo o controle da aeronave. Depois de sair do aeroporto e voar sobre a avenida Washington Luis, o avião chocou-se contra o prédio da TAM Express, explodiu e matou 200 pessoas. Logo depois do acidente, a companhia aérea defendeu que, pelos manuais da fabricante Airbus e pela experiência da própria empresa, mesmo em pistas curtas os aviões poderiam operar com os reversos travados. A TAM acrescentou que as pistas são homologadas para que os aviões operem sem usar esses sistema de freios aerodinâmicos, que são paletas acionadas da cabine e que se abrem formando uma espécie de cone que inverte o fluxo de ar das turbinas e ajuda a reduzir a velocidade das aeronaves.   "O reverso é um acessório", disse o vice-presidente técnico da TAM, Ruy Amparo, em depoimento na CPI do Apagão Aéreo, na semana passada. Disse, também, que o Airbus estava preparado para pousar até em pistas de 1.350 metros, 600 metros abaixo da que foi usada no fatídico vôo 3054 do dia 17 passado. "Se Congonhas tem quase dois quilômetros, estávamos com quase 50% de segurança", disse Amparo. A pista menor de Congonhas tem 1,435 metros. As do Rio, no Santos Dumont, têm 1.323 metros e 1.260. As do Galeão, também no Rio, têm 4 mil metros e 3.180 metros.   A decisão tomada pela TAM, de não voar mais com o reverso das turbinas pinado, foi considerada acertada por militares da Aeronáutica. Eles entendem que, neste momento, as medidas com objetivo de prevenir problemas semelhantes aos que podem ter levado a acidentes, acabam sendo conservadoras, ou seja, mais radicais do que permitem manuais ou tradicionais regras de operação. Neste caso, embora o avião esteja homologado para pousar em Congonhas, mesmo sem dois reversos em operação, a opção foi por não arriscar mais.   Outra recomendação na linha conservadora, em decorrência do acidente, foi anunciada pela própria Aeronáutica. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), recomendou, na semana passada, que, em dias de chuvas, todos os vôos sejam suspensos na pista principal do aeroporto de Congonhas, até que todos os testes de aderência sejam realizados. O Cenipa só vai suspender sua recomendação e atestar a segurança de Congonhas depois de mensurar detalhadamente o coeficiente de atrito da pista principal em todas as situações em dias de pouca ou muita chuva. Ao anunciar a recomendação, o Cenipa reconheceu ser uma sugestão extrema, mas lembrou que medidas conservadoras são sempre mais preventivas.

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