Temporal mata cinco e espalha rastro de destruição no RS

Chuva de pouco mais de uma hora e fortes ventos deixaram cerca de 500 mil sem energia em todo Estado

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

19 Novembro 2009 | 17h13

Em Porto Alegre, árvores derrubadas pelo vento causaram estragos em casas. Foto: Carlos Edler/AG RBS

 

PORTO ALEGRE - Um temporal de pouco mais de uma hora provocou acidentes que mataram cinco pessoas e deixou um rastro de destruição entre a região metropolitana de Porto Alegre e o litoral norte do Rio Grande do Sul no início da tarde desta quinta-feira, 19. A zona sul do Estado seguiu enfrentando alagamentos resultantes das chuvas torrenciais de quarta-feira. Na capital gaúcha, uma das paredes de um prédio desativado caiu sobre a calçada da Avenida Brasil, matando a auxiliar de serviços gerais Marilu Azambuja, de 37 anos, que passava pelo local, na zona norte da cidade. Na zona sul, um morador do bairro Restinga, identificado como Jorge Camargo, de 39 anos, morreu atingido pelo tronco de uma árvore quando tentava se proteger da chuva e do vento.

 

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Em Canoas, na região metropolitana, o operário Eduardo da Silva, de 19 anos, foi soterrado pelo muro de uma construção e não resistiu aos ferimentos. No mesmo município, um sargento da Aeronáutica morreu enquanto manejava uma motosserra para cortar uma árvore caída dentro do terreno do 5º Comando Aéreo Regional (Comar). Até o início da noite, o nome dele e a circunstância do acidente não haviam sido divulgados. E em Capivari do Sul, no litoral, a queda do galho de uma árvore matou o agricultor Pedro da Silva Rosa, 60 anos.

 

Em Cidreira, no litoral norte, o teto de uma escola caiu sobre uma sala. Cerca de 30 crianças sofreram ferimentos e tiveram de ser levadas a um hospital para avaliação médica. Todos foram atendidas e liberadas. Em Maquiné a queda da parede de uma loja deixou cinco feridos, sem gravidade. Em Xangri-Lá, o vento jogou o telhado da escola de educação infantil Lobinho Guará no pátio. Os 250 alunos estavam dentro das salas e não se feriram.

 

A chuva forte acompanhada de rajadas de vento de mais de cem quilômetros por hora em alguns locais arrancou telhados, derrubou árvores e postes e alagou estradas em diversos municípios, como São Lourenço do Sul e Camaquã, ao sul de Porto Alegre, e Santo Antônio da Patrulha, Osório, Tramandaí, Capão da Canoa, Xangri-Lá e Torres, ao norte.

 

Na região metropolitana, houve transtornos para todo o tipo de atividades, provocados sobretudo pelo vento. Em Canoas, o Hospital Nossa das Graças suspendeu cirurgias depois de ter seu telhado arrancado. Em Viamão, a estrutura de lona montada para uma prova da categoria Stock Car no autódromo de Tarumã, foi derrubada. Os organizadores anunciaram que a programação está mantida, com treinos nesta sexta-feira e sábado e corrida no domingo.

 

FALTA DE LUZ

 

No final da tarde, as distribuidores calculavam que cerca de 500 mil pessoas ainda estavam sem energia elétrica em todo o Estado. Um levantamento preliminar da Defesa Civil indicava que havia 150 pessoas desabrigadas e 1.546 desalojadas em todo o Rio Grande do Sul. A maioria delas teve de sair de casa por causa de alagamentos, especialmente em Bagé, Dom Pedrito, Pedro Osório e Piratini, todas no sul do Estado, atingidas por chuvas torrenciais desde quarta-feira.

 

Na mesma região, o transbordamento de rios interrompeu o tráfego em algumas rodovias. Na divisa de Pelotas e Capão do Leão, um arroio invadiu a pista da BR-116, forçando motoristas a trafegarem por desvios. Segundo alerta distribuído pela Defesa Civil, as condições meteorológicas serão favoráveis à ocorrência de pancadas de chuva, moderadas a fortes, acompanhadas de trovoadas e rajadas de vento em áreas isoladas do oeste e noroeste do Rio Grande do Sul nesta sexta-feira. A nota recomenda à população que evite áreas de alagamentos e sob risco de deslizamento.

 

(Texto atualizado às 20h05)

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