Temporão e Saúde de SP trocam farpas sobre drogas

Ministro vê 'demagogia barata' e secretaria reage, levantando suspeitas sobre o comportamento dele a 2 dias da eleição

, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão (PMDB), fez ontem duras críticas ao governo de São Paulo e à Secretaria de Saúde do Estado, administrado pelo PSDB, ao discutir sobre políticas de combate às drogas. O assunto, especialmente o combate ao crack, virou tema da campanha e foi abordado em programas eleitorais na TV dos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

O ministro acusou a secretaria de tratar o combate à dependência de álcool e drogas "de maneira simplória e rasteira" e de fazer "demagogia barata" com o tema. "A maneira mais simplória e rasteira de abordar esse tema, como a oposição vem fazendo, é dizer o seguinte: nós temos que internar todo mundo. Isso é demagogia barata, uma simplificação. É passar por cima do problema", afirmou o ministro, em inauguração, em São Bernardo do Campo, de um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). Procurada pelo Estado, a Secretaria de Saúde reagiu no mesmo tom. Em nota, chamou levantou suspeitas sobre o comportamento do ministro dois dias antes da eleição, de "oportunistas e sem fundamento" as afirmações do ministro, "feitas curiosamente às vésperas da eleição presidencial".

Na inauguração, Lula afirmou que esse "é um problema do presidente, do governador, do prefeito, do pai, e um problema da mãe. É um problema da sociedade brasileira. Então não dá para ninguém fugir ao problema." Acrescentou que há R$ 420 milhões disponíveis para os prefeitos solicitarem parceria com a União na criação de novos CAPS. .

Enquanto elogiava as ações do governo federal no setor, Temporão fez duras críticas ao governo paulista, afirmando que São Paulo "se alia ao que tem de mais atrasado e reacionário na psiquiatria brasileira". pois defende o internamento em manicômios. Enquanto isso, diz, o governo federal escolheu outro caminho, "o da solidariedade, do carinho, da atenção diferenciada."

A secretaria paulista também retrucou. afirmando que ela " é que questiona a postura retrógrada do Ministério da Saúde, que não admite a necessidade, em alguns casos pontuais, de internação de pacientes com alto grau de dependência e, por isso, não financia sequer um leito para tal fim no Estado".

A polêmica estendeu-se ainda à questão das verbas do SUS. Temporão afirmou que a União repassou uma verba extra ao Estado. "A oposição aqui em São Paulo fala que fez, que fez, mas esquece de dizer que de março para cá o Ministério botou R$ 1,7 bilhão a mais do teto de São Paulo exatamente para permitir que existam hospitais, leitos, atendimentos, consultas e exames." segundo a secretaria, não é nada extra: "Trata-se do mero cumprimento de uma obrigação constitucional."

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