Terras do Pontal são alvo principal

No Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado, os alvos são as fazendas localizadas no 15.º Perímetro, uma área de 92,6 mil hectares considerada devoluta pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em decisão de 26 de agosto. O MST vai pressionar o governo para destinar as áreas para a reforma agrária. "Com a decisão do STJ, após as eleições vamos avançar nessa questão das terras devolutas do Pontal", disse Gledson Mendes, da coordenação estadual.

, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2010 | 00h00

O Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) entrou na disputa pelas áreas. "Passada a questão política, vamos organizar as comunidades acampadas e ocupar essas terras", anunciou o coordenador nacional Lino de Macedo. Segundo ele, só no Pontal o Mast tem 800 famílias distribuídas em nove acampamentos. "Estamos reagrupando aquelas que debandaram durante o período eleitoral."

O líder do MST da Base, José Rainha Júnior, já convocou lideranças de movimentos como o Unidos pela Terra (Uniterra) e o Mast para uma reunião, após o segundo turno. "Vamos tornar público que o Pontal tem terra devoluta para assentar 5 mil famílias", disse. A forma de mobilização será definida. "Não descartamos as ocupações."

Rainha controla 12 acampamentos com 2,5 mil famílias nas regiões do Pontal e da Alta Paulista. Só no acampamento Adão Preto, em Araçatuba, ele cadastrou 950 famílias. Os alvos serão uma dezena de fazendas consideradas improdutivas em vistorias do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Pelo País. A mobilização se estende a outros Estados. Sem-terra estão prontos para a ação na região de Naviraí, sudeste do Mato Grosso do Sul. No sul do Pará, lideranças do MST e de outros grupos tiveram dificuldade para controlar os acampados na região de Xinguara. Duas fazendas foram invadidas durante o período eleitoral e o clima é de tensão.

O centro-oeste, um dos principais polos da produção de grãos no País, também entrou no foco do MST. São esperadas ações em Goiás e Mato Grosso. No Rio Grande do Sul, o movimento comemorou a eleição de Tarso Genro (PT), mas as invasões vão continuar. "A expectativa é de que o governo Tarso tenha uma atitude de respeito pelo direito de manifestação", disse Ana Hanauer, da coordenação estadual.

O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse que a retomada das invasões já era esperada. "Vamos cobrar que a Justiça continue fazendo seu papel", afirmou. Segundo ele, a decisão sobre as terras do Pontal não é definitiva. "Já houve recurso, ainda não julgado."

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