Testemunhas acusam diretor de sindicato de dois crimes

Testemunhas que preferem não se identificar acusam o diretor de Saúde do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo, Paulo César Barbosa dos Santos, o Paulão, de mandar matar pelo menos dois diretores de garagem que atuavam ao seu lado na Viação Jurema, na zona sul. Braço direito de Edivaldo Santiago da Silva, presidente do sindicato, com quem está preso na Polícia Federal, Paulão ordenou, segundo a denúncia, os assassinatos de José Leogivildo Aquino Filho, o Zé Pezão, e José Alves dos Anjos, o Mala Velha. Além das duas mortes, Paulão é acusado, também, de uma tentativa de homicídio contra Marcos Antônio Coutinho da Silva, ex-diretor do sindicato que denunciou à Rede Globo o esquema de greves encomendadas pelos patrões e a participação de Edivaldo e seus aliados em homicídios. Os diretores mortos integravam a chapa Resgate, que concorria à direção do sindicato, e foram eliminados, segundo uma das testemunhas, porque Paulão pretendia tirá-los do caminho para comandar sozinho a Viação Jurema, em uma disputa de poder e dinheiro. A garagem da Jurema fica na Estrada do M´Boi Mirim. Os executores de Mala Velha, de acordo com o denunciante, foram os bandidos identificados como Val, Valério, Magrão, Pulguinha e Morceguinho. Val ainda trabalha na Jurema, segundo a testemunha. Dois outros integrantes da chapa, Cícero e Pedrão, preferiram fugir para não morrer. Também compunha o grupo de candidatos o diretor Isao Hosoji, o Jorginho, preso na PF junto com Edivaldo e Paulão. "Ele (Paulão) queria o cargo de Marcos, que é um cara decente e não tem nada a ver com essa podridão. Por isso ordenou as mortes dos companheiros", disse a testemunha. Marcos era diretor de Saúde, cargo que passou a ser ocupado por Paulão depois que Marcos foi expulso do sindicato. O diretor dessa área passa a controlar os planos de saúde dos trabalhadores, que seria uma das maiores fontes de propinas do sindicato, cujos contratos estão sob investigação do Ministério Público Estadual (MPE). Oposição Uma outra testemunha chegou a ver Paulão entrar no bar onde estava Zé Pezão com uma arma na cintura. No mesmo período, há cerca de três anos, foram mortos a tiros os diretores Vicente de Paulo, o Que Liga - assassinado com 17 tiros dentro do ônibus que dirigia -, José Francisco Nunes, o Jotinha, e Durvalino José dos Santos, o Santista. Os três diretores tinham em comum a oposição ao grupo de Edivaldo Santiago da Silva, que acabou vitorioso nas eleições. Que Liga era o maior amigo de Zé Pezão e as testemunhas consideram o crime uma queima de arquivo. O MPE vai juntar em um mesmo processo os casos dos cinco integrantes do sindicato mortos em disputas por garagens. Os inquéritos acabaram arquivados e não se chegou a nenhum culpado pelos assassinatos. O promotor José Carlos Blat deve indiciar Paulão como responsável por pelo menos dois assassinatos. A Polícia Federal investiga ainda se o assassinato, em 1992, do sindicalista Josemir Gonçalves, o Bruce Lee, também tem relação com os crimes atribuídos ao grupo de Edivaldo Santiago. Bruce Lee era rival de Edivaldo e de José Carlos de Sena, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Cargas Secas e Molhadas.

Agencia Estado,

07 Junho 2003 | 16h47

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