Tiroteio deixa sete mortos na favela do Barbante, no Rio

Ariovaldo da Silva Nunes, de 37 anos, é uma das vítimas; outro mortos ainda não foram identificados

Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2008 | 12h04

Sete pessoas morreram entre a noite de terça-feira e a madrugada desta quarta-feira, 20, na favela do Barbante, em Campo Grande, zona oeste do Rio. Segundo o titular da 35.ª Delegacia de Polícia, delegado Marcus Neves, todos são moradores inocentes, sem ligação com criminosos e que teriam sido assassinados por milicianos da Liga da Justiça, grupo que seria comandado, segundo a polícia, pelo deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido) e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), ambos presos em Bangu 8. Segundo o delegado, o filho do vereador, o ex-PM foragido Luciando Guimarães, liderou o ataque.   Veja também: Câmara aprova projeto que criminaliza as milícias   "Desde a prisão de Natalino, no mês passado, as favelas de Campo Grande que são dominadas pelo grupo de milicianos está enfraquecendo. A Carobinha, por exemplo, já foi tomada por traficantes da facção ADA (Amigo dos Amigos). Na semana passada, traficantes do Comando Vermelho tentaram tomar a favela do Barbante, mas não conseguiram. Por isso, os milicianos atacaram, querendo culpar um ataque de traficantes", disse o delegado.   Neves informou que, dos 17 homens que teriam entrado encapuzados na favela para promover os "assassinatos aleatórios", dez já estão identificados e são integrantes do grupo armado da Liga da Justiça, que seria comandado por Luciano. Parte deles já foi denunciado pelo Ministério Público por formação de quadrilha e diversos homicídios. A identificação do bando foi possível porque moradores do Barbante anotaram placas dos carros com os quais os criminosos entraram na favela.   Até esta noite, a polícia havia divulgado apenas o nome do comerciante Ariovaldo da Silva Nunes, de 37 anos, entre os mortos. "O objetivo desses milicianos, que são muito mais organizados que os traficantes, é também enganar a comunidade que atacaram. Eles querem mostrar que a população vai sofrer muito mais se os traficantes entrarem ali", analisou. O Regimento de Polícia Montada (RPMont) da Polícia Militar ocupou a favela para dar proteção aos moradores. Ninguém havia sido preso, até o encerramento desta edição.   O delegado comemorou a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de Lei que vai tipificar e punir o crime de milícia, com pena prevista para quatro a oito anos de prisão, e ainda de uma a dois anos para quem oferecer ou prometer serviço de segurança sem autorização legal.   Atualizado às 20h20 para acréscimo de informações

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