Tiroteio na Rocinha deixa pelo menos uma criança morta

Recomeçou nesta quarta a disputa entre quadrilhas rivais pelo controle de pontos-de-venda de drogas na Favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio. O tiroteio começou por volta das 18 horas e deixou pelo menos uma criança morta e dois homens feridos, ambos detidos pela polícia. Um deles vestia um uniforme preto. De acordo com o comandante-geral da PM, coronel Hudson de Aguiar, criminosos usaram roupas dessa cor com a inscrição da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil durante o ataque realizado pela facção criminosa Comando Vermelho. O coronel disse não saber quantas pessoas participaram da tentativa de invasão. "Há informações contraditórias." Aguiar disse que o ataque pode estar relacionado ao show de sábado dos Rolling Stones, em Copacabana e ao carnaval, o período do ano mais lucrativos para os traficantes de drogas. "Acreditamos que (o ataque) tenha a ver com o show dos Rolling Stones e com a proximidade do carnaval", disse. Um dos presos é o traficante conhecido como Tchaca. Duas armas foram apreendidas: uma pistola calibre 45 e outra calibre 9 milímetros. Hudson afirmou que hoje o Batalhão de Operações Especiais da (Bope) e o Batalhão Florestal realizarão buscas nas matas ao redor da favela, uma das rotas usadas pelos invasores. Durante o confronto, tiros foram disparados contra transformadores de energia, deixando partes da Rocinha e da Gávea, bairro de classe média alta, sem luz. No Largo do Boiadeiro, o alvo dos invasores foi um posto da Polícia Militar. A polícia revistou caminhões-baú, suspeitando que pudessem ser usados pelos bandidos para fugir. Marcos D Paula Homem baleado no pé durante o tiroteio A Secretaria de Saúde do município confirmou a morte de um menino de 12 anos, levado para o Hospital Miguel Couto, no Leblon, atingido por um tiro no peito. Entre os feridos está um jovem de 18 anos, baleado na perna esquerda e atendido no mesmo hospital. As disputas entre traficantes de drogas têm sido constantes na Rocinha. O episódio mais grave ocorreu em abril de 2004, durante a Semana Santa. A favela foi invadida por criminosos do Morro do Vidigal, também em São Conrado. Em quatro dias de conflito, mais de dez pessoas foram mortas. Na terça-feira, um cabo do Exército foi morto por traficantes no Vidigal. O Comando Militar do Leste (CML) informou que o cabo Paulo Roberto Cavalcanti, de 35 anos, integrava uma equipe da Polícia do Exército que foi ao morro para verificar se armas de uso exclusivo das Forças Armadas estavam em poder de criminosos.

Agencia Estado,

15 Fevereiro 2006 | 21h57

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