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'Tolerância zero à violência contra a mulher', diz Dilma no Twitter após pesquisa do Ipea

Felipe Tau - Levantamento, divulgado nesta quinta, mostrou percepção do brasileiro sobre assuntos como machismo e

28 Março 2014 | 13h 07

Levantamento, divulgado nesta quinta, mostrou percepção do brasileiro sobre assuntos como machismo e homofobia; 65% dos entrevistados concordaram que mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas

Atualizada às 22h24

SÃO PAULO - Um dia depois de o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgar uma pesquisa que revela que 65% dos brasileiros acham que mulheres que usam roupas curtas merecem ser atacadas, as redes sociais se tornaram palco de protestos e debates.

A presidente Dilma Rousseff foi taxativa ao comentar a pesquisa em seu Twitter: "tolerância zero à violência contra a mulher #Respeito". Ela também publicou que "a sociedade brasileira tem muito o que avançar" e que o resultado do levantamento "deixa claro o peso das leis e das políticas públicas".

Dilma afirmou a necessidade de unir forças no combate à violência. "Governo e sociedade devem trabalhar juntos dentro e fora dos lares."

A pesquisa do Ipea também revelou que 58,5% dos entrevistados acreditam que, se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros.

Protesto. No Facebook, mulheres de todo o Brasil se organizaram para protestar contra o resultado da pesquisa. "Você não concorda com isso? Nem eu! Então ‘bora’ mostrar o corpo para mostrar o quão revoltadas estamos?", convocava o texto publicado na página do evento na rede social.

"A ideia é que a gente tire a roupa e se fotografe, da cintura para cima, com um cartaz tampando os seios com os dizeres ‘Eu também não mereço ser estuprada’ e postemos, todas juntas, ao mesmo tempo, online", explicava a organizadora do ato, a jornalista Nana Queiroz. Ela estimulava as mulheres a postar fotos da maneira que se sentissem à vontade: "de burca, de roupa de futebol ou de biquíni", exemplificava.

Com a hashtag #EuNãoMereçoSerEstuprada, as pessoas começaram a postar suas fotos às 20h. Reunidas, sozinhas, velhas, novas e até amamentando, as mulheres exibiram seus cartazes. Homens também aderiram ao protesto. "Canso de escutar que se uma mulher usa roupa curta é pedir pra ser estuprada. E quanto a homens sem camisa? Eles também estão pedindo isso?", escreveu Eduardo Winther de Medeiros, que exibia um cartaz com os dizeres: "Roupa curta não justifica estupro". Johannes Antonius Wiegerinck também apoiou a causa: "Se eu vir você abusando de uma mulher, eu vou quebrar o seu pescoço - fisicamente, verbalmente ou moralmente".

Apesar da grande adesão, algumas mulheres se sentiram intimidadas com comentários machistas em seus posts. "Em um movimento virtual que tem como objetivo o respeito às mulheres, eu publico uma foto e sou xingada. É como ser rotulada e julgada", reclamou uma manifestante. As outras a apoiaram: "Não dê ouvidos a eles. Nos enjoa ver gente que pensa assim".