Trabalhadores bloqueiam acessos ao Porto de Suape

Três centrais sindicais participam de ato em cidade pernambucana pelo Dia Nacional de Lutas

Atualizado às 13h, Angela Lacerda

11 Julho 2013 | 09h29

IPOJUCA (PE) - Debaixo de chuva, às quatro horas da manhã, trabalhadores de três centrais sindicais bloqueararm os três acessos do complexo industrial e portuário de Suape, no município de Ipojuca, a 55 quilômetros do Recife. Nenhum veículo nem ônibus que transportam trabalhadores puderam entrar no complexo, onde trabalham 75 mil pessoas - 25 mil em 105 empresas em operação e 50 mil em 50 empresas em construção. Não houve conflitos. Até o fim desta manhã, as vias seguiam fechadas, mas a maioria dos cerca de 350 manifestantes, segundo a Polícia Militar, começaram a deixar o local por volta das 10 horas. No fim da manhã, o protesto foi encerrado.

Na avaliação da Força Sindical, uma das organizadoras do Dia Nacional de Lutas, a chuva e a suspensão do trabalho por empresas do complexo explicam a baixa frequência de trabalhadores no ato. Para a central, no entanto, o objetivo do ato foi alcançado. “O porto foi completamente parado”, avalia o presidente da Força, Aldo Amaral.

Na entrada principal, em uma via interna do complexo, a TDR Norte, foram queimados pneus. Segundo o diretor de relações sindicais da Força Sindical, Leodelson Bastos, o bloqueio será mantido até as 12h, quando os trabalhadores irão para uma passeata no centro do Recife, aglutinando também movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Via Campesina, médicos e estudantes.

A direção do Porto de Suape divulgará um balanço nesta tarde sobre o funcionamento no complexo, mas, de acordo com a assessoria de imprensa, muitas empresas mantiveram suas atividades porque alteraram o horário dos turnos para fugir dos bloqueios. O centro administrativo funcionou normalmente.

O ato na cidade pernambucana começou cedo. Às 5h30, Elias Gomes, operador de máquinas da empresa Amanco, aguardava, dentro de um ônibus a liberação da empresa. "Saí de casa às quatro horas, estamos aqui parados no bloqueio esperando orientação, mas acho que voltaremos para casa". Ele trabalha no turno das 5h30 às 13h30. A direção do Porto de Suape estima que não haverá prejuízo nas importações e exportações do complexo, que funciona 24 horas, com a paralisação de um turno.

Na entrada principal do porto, o caminhoneiro mineiro Sérgio Nonato dos Santos, 53 anos, aguardava, pacientemente, ao lado do filho de três anos, que o bloqueio o deixasse passar com um carregamento de farelo. Depois de passar quatro dias parado na BR-116, na Bahia, diante das manifestações de caminhoneiros, ele demonstrava esperança: "É para melhorar o País, é importante", afirmou ele, que reclama melhoria das estradas, redução do preço do combustível e aumento do frete.

De sapato alto vermelho e maquiado, o professor municipal Flávio Barreto, 30 anos, virou atração do bloqueio. "Saí de casa Flávio e aqui fui batizado de Dilma", disse ele, que saiu de Escada, município próximo, para apoiar o movimento.

"Ou Dilma melhora ou vai perder a cadeira dela", afirmou o operador de rolo compressor José Luiz da Silva, 29 anos, referindo-se à presidente de verdade. Uma faixa dava o recado dos manifestantes para a presidente: "Dilma, tá na hora de ouvir quem realmente dá duro pelo crescimento do Brasil".

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