Traficante e cúmplices terão rotina mais dura

Detentos são enquadrados no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) por tempo indeterminado

João Naves de Oliveira, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2008 | 00h00

A partir de hoje, Abadía, Girotti e Barbosa, detentos da penitenciária federal envolvidos na Operação X, começarão a cumprir uma rotina mais dura na cadeia. Eles foram enquadrados no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), por tempo indeterminado, segundo determinação da juíza da 3ª Vara Federal de Mato Grosso do Sul, Raquel Domingues do Amaral Corniglion. Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, já estava incluído no RDD, por decisão do titular da 3ª Vara Federal, Odilon de Oliveira. Entre as restrições estão celas diferentes das comuns, das quais o detento não precisa sair para tomar banho de sol, e duas visitas de parentes ou advogados por semana com no máximo duas horas de duração. SEGURANÇA Com capacidade para 208 presos, em celas individuais de segurança máxima, a Penitenciária Federal de Campo Grande era considerada, até a chegada dos reis do narcotráfico no Brasil e na Colômbia, uma fortaleza imune a rebeliões, fugas e ações criminosas. Dotada de infra-estrutura e equipamentos de segurança de última geração, como aparelhos de raio X, tem coleta de impressão digital e detectores de metais de alta sensibilidade, aos quais até os advogados são submetidos. ESCUTA Sua segurança foi desafiada pela primeira vez em abril. Na ocasião, desconhecidos dispararam vários tiros com armas de grosso calibre contra a segurança. Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), a principal suspeita é de que a ação teria como objetivo libertar Abadía e Fernandinho Beira-Mar. O caso levou a Polícia Federal, cerca de uma semana depois, a formar o que se tornou a Operação X - com escutas feitas com autorização judicial e novas investigações. OS PRINCIPAIS ALVOS DA PF Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar: é apontado como um dos maiores traficantes de armas e drogas da América Latina. Após fugir da prisão e permanecer quatro anos foragido, foi recapturado na Colômbia e extraditado para o Brasil em abril de 2001. Suas condenações, a maioria por tráfico e associação para o tráfico de drogas, somam 67 anos Juan Carlos Ramirez Abadía, o Chupeta: é um dos principais líderes do cartel Norte do Vale, na Colômbia. Em agosto de 2007, foi preso pela Operação Farrapos da Polícia Federal num condomínio fechado em Aldeia da Serra, na Grande São Paulo. Em abril, foi condenado a 30 anos de prisão pela Justiça Federal em São Paulo por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, entre outros crimes. O Supremo Tribunal Federal (STF) já concedeu a extradição dele para os Estados Unidos José Reinaldo Girotti, o Alemão: nascido em Brotas, interior de São Paulo, tem em sua ficha criminal o roubo à transportadora de valores Preserve, o assalto ao Banco Regional de Brasília e ao Banco Central de Fortaleza, ataques a prédios de luxo, setor de penhores da Caixa Econômica Federal e joalherias João Paulo Barbosa: é suspeito de integrar a quadrilha que invadiu o Banco Central de Fortaleza e de ser ligado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC)

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