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Traficante que construía submarino era ligado a Pablo Escobar

Marília Assunção - Especial para o Estadão

26 Maio 2014 | 20h 20

Quadrilha agia há três décadas e movimentava R$ 5 milhões por semana; entre os bens do grupo estão 46 imóveis, como um hotel, nove fazendas e uma mineradora na África

GOIÂNIA - A Polícia Federal (PF) prosseguiu nesta segunda-feira, 26, as buscas pelo líder da quadrilha de tráfico internacional de drogas que começou a ser desarticulada na sexta-feira, 23, em Goiás e mais seis Estados, palcos da Operação Águas Profundas. O nome da operação foi inspirado na sofisticação da organização criminosa, que estava construindo um submarino, comprando uma aeronave de grande capacidade, um Boing 737, e planejando montar uma companhia aérea comercial para transportar a droga até Estados Unidos, Espanha, França, Emirados Árabes e África.

O líder vivia no município de Goiatuba, cidade do interior, na região sul de Goiás. Ele conseguiu escapar, mas, além de buscas nesta segunda-feira por Goiás, São Paulo e Minas Gerais, um alerta internacional (difusão vermelha) foi feito para a Interpol. A PF vinha monitorando o suspeito e teria comprovações de que ele não havia fugido para outro país ainda.

A investigação mostrou que o líder trabalhou com o traficante colombiano Pablo Emílio Escobar Gaviria, o Pablo Escobar, um dos fundadores do Cartel de Medelín, morto em 1993 após ficar bilionário com o tráfico de cocaína e ser reconhecido como um dos maiores e mais estratégicos traficantes do mundo.

Mineradora na África. A PF estima que a quadrilha, com sede em Goiás e ramificações em vários Estados e países, movimentasse por semana cerca de R$ 5 milhões. O império erguido é composto por mais de 46 imóveis, entre eles um hotel, apartamentos na praia, nove fazendas, empresas agropecuárias e até uma mineradora na África.

Os bens dos criminosos, avaliados em mais de R$ 100 milhões, foram alvo de sequestro e bloqueio judicial.

Era no garimpo africano que a quadrilha pretendia construir o submarino, que já tinha até projeto. A embarcação seria inspirada em experiências de traficantes de outros países, como os mexicanos. Os líderes da quadrilha chegaram a visitar alguns desses estaleiros antes. A supervisão da obra seria feita por engenheiros colombianos.

Segundo o delegado responsável pela operação, Bruno Gama, dos mandados de busca e apreensão a serem efetuados, 85 haviam sido cumpridos até a manhã desta segunda-feira. Dos dez mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal, quatro foram executados. Também houve a apreensão de 13 veículos, armas e dinheiro.

Profissionalismo. A investigação mostrou que a quadrilha possuía grande profissionalismo, com atuação de mais de três décadas, mantendo uma estrutura logística que agia em aeroportos, portos, despachantes aduaneiros e casas de câmbio. Revelou ainda que os criminosos utilizavam as mesmas técnicas de grandes conglomerados empresariais, agindo coordenados por um líder com prática em princípios da economia de mercado, aplicando até mesmo mecanismos contábeis, comerciais e cambiais para evitar perdas, reduzir custos e obter o maior lucro possível com o tráfico de drogas.

A operação ocorre em sete Estados, nas seguintes cidades: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Goiatuba e Rio Verde (GO); Guarujá, Ribeirão Preto, Bertioga, São Paulo, Campinas e Santos (SP); Belém e Icoaraci (PA); Londrina (PR); Belo Horizonte (MG); São José do Xingu (MT) e Itajaí (SC).

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