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Traficantes acusados de comandar ataques a UPPs no Rio são presos

Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

21 Abril 2014 | 13h 25

Bruno Eduardo da Silva Procópio, conhecido como Piná, e Eduardo Luís Paixão, conhecido como Duda2D, atuavam no Complexo do Alemão

Atualizado às 18h48

RIO - Suspeitos de comandar ataques a Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos últimos meses, dois traficantes foram presos nesta segunda-feira, 21, em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. Eles foram localizados pelas Polícias Federal e Civil em uma casa de luxo na região, onde passavam o feriado com a família e amigos. No local havia R$ 9 mil em espécie e três veículos.

Bruno Eduardo da Silva Procópio, de 33 anos, e Eduardo Luís Paixão, de 26, conhecidos como Piná e Duda 2D, são investigados por chefiar o tráfico de drogas em favelas da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão. Há, contra eles, quatro mandados de prisão por tráfico de drogas. Piná também foi indiciado por dois homicídios.

Os traficantes eram monitorados no local desde quinta-feira passada. Na operação, que contou com dois helicópteros, 15 agentes da Polícia Federal cercaram a casa no final da manhã. Um dos traficantes tentou fugir por um terreno vizinho, mas foi cercado.

A casa em que eles estavam havia sido alugada por R$ 7 mil para o feriado, em nome da mulher de um dos traficantes. Também estavam no local três crianças, filhos dos traficantes, suas mulheres e um amigo da dupla.

Os dois foram levados de helicópteros para o Rio, onde estão presos. A polícia investiga se o homem, que não teve a identidade divulgada, tem envolvimento com o tráfico.

"Temos informações de que eles eram bastante sanguinários e estavam envolvidos em ataques a UPPs e em Niterói", afirmou Carlos Eduardo Thomé, delegado da Polícia Federal.

Segundo Thomé, Piná também estaria por trás dos ataques a quatro ônibus e três carros durante protesto no bairro de Caramujo, em Niterói, no sábado. Os veículos foram incendiados após duas operações policiais no complexo de favelas do bairro. Dois jovens morreram entre quinta-feira e sábado, um baleado e outro atropelado por um blindado do Batalhão de Choque. Em protesto, cerca de cem moradores fecharam uma rodovia.

Outros ataques. A dupla também é suspeita de organizar os ataques simultâneos às UPPs de Mandela, em Manguinhos (zona norte), e da Camarista Méier, no Complexo do Lins (zona norte), realizados em março. Os ataques levaram o governo do Estado a pedir reforço das Forças Armadas.

A polícia suspeita ainda que os bandidos foram os responsáveis pelos disparos contra a sede da organização AfroReggae, do jornal A Voz da Comunidade, no Complexo do Alemão, em 2013.