Tremembé, o presídio dos ''famosos'' e das visitas de luxo

Complexo onde está Alves abriga Marcos Valério, Mateus Meira e Alexandre Nardoni

Simone Menocchi, O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2008 | 00h00

Elas chegam de chofer, em carro importado. Perfumadas, de salto alto, bem vestidas, levam malas de grife com queijos, embutidos, bolachas e outras guloseimas. É a rotina das mulheres e namoradas dos homens presos na Penitenciária 2 de Tremembé. A 138 quilômetros da capital está o que parece ser um oásis, em termos de segurança, para os chamados "presos de risco" como Lindemberg Alves, transferido para o local na segunda-feira - anteontem, chegou o publicitário do mensalão, Marcos Valério. Nos fins de semana é comum o trânsito de carros de luxo, nacionais e importados, com visitantes vestidos com famosas grifes e carregando sacolas com produtos alimentícios de primeira linha. Esse movimento mostra bem o status de quem cumpre ou aguarda ser condenado para cumprir pena no local em relação a outros presídios do Estado. A saída do ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz - acusado de suborno a um delegado e de ser o braço direito do banqueiro Daniel Dantas -, no dia 13 de agosto, ilustra essa situação. Algumas horas antes, seus parentes deixaram na unidade malas com ternos, levadas para dentro da penitenciária pelos advogados de Braz. A saída não poderia ter sido em melhor estilo: em uma Mercedes preta, com vidros fechados, ignorando o plantão da imprensa do lado de fora. O mesmo aconteceu com Edinho, o ex-goleiro do Santos e filho de Pelé. O ícone do futebol mundial foi recepcionar o filho e também levou roupas e motorista particular. Também conhecido por IRT, o antigo Instituto de Reeducação de Tremembé tem cerca de 310 presos - a Secretaria de Administração Penitenciária não confirma nem desmente esse número. A unidade é de segurança máxima e, à noite, gansos são soltos em volta dos pavilhões, em um local chamado "linha de tiro", para garantir ainda mais a integridade de detentos, funcionários e do patrimônio público. HOLOFOTES Ali estão presos ex-policiais, filhos de funcionários públicos, ex-funcionários públicos e presos que cometeram crimes hediondos. Nessa categoria se enquadram, além de Lindemberg, o pai de Isabella Nardoni, Alexandre Nardoni, e os irmãos Cristian e Daniel Cravinhos, assassinos confessos do casal Marísia e Manfred von Richthofen, em 2002. Ainda nessa linha, se destacam Mateus da Costa Meira (condenado por abrir fogo contra a platéia em um cinema de São Paulo e matar três pessoas) e os dois homens acusados de seqüestrar, atear fogo e matar um casal e seu filho em Bragança Paulista, a 83 km da capital paulista. A P2 ainda abrigou outros nomes famosos, que estiveram sob os holofotes da mídia. Entre eles, Law Kim Chong - considerado um dos maiores contrabandistas do Brasil; o ex-controlador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, e seu filho, Rodrigo Cid Ferreira, ambos acusados de crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O juiz federal João Carlos da Rocha Mattos é outro "hóspede" do local - ele chegou ao presídio em 2004. No caso de Edemar, os filhos dele chegaram de helicóptero particular a Taubaté, cidade próxima de Tremembé, para visitar o pai, preso na época. Tremembé tem quatro presídios e parece ser o melhor destino para a garantia da vida dos presos de risco. A cerca de dez quilômetros do P2 está a Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, também de segurança máxima. No local estão Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella Nardoni, e Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais. Somadas todas as unidades prisionais, a população carcerária equivale a cerca de 10% dos habitantes da cidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Tremembé tinha 38.321 habitantes em 2007.

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