Trilhas de São Paulo agora têm passaportes para aventureiros

Livros contêm informações sobre parques, mapas de percursos e indicação de dificuldade

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

28 Agosto 2008 | 00h00

Os aventureiros que fazem trilhas pelos parques paulistas têm agora um passaporte para registrar seus feitos, no mesmo molde da Tarjeta del Peregrino do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. O documento é a primeira novidade do programa Trilhas de São Paulo, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que será lançado hoje para incentivar o ecoturismo nas 19 unidades de conservação do Estado. Os passaportes contêm informações sobre os parques, mapas das trilhas e a indicação do grau de dificuldade para percorrê-las. Além disso, há um espaço para os carimbos das administrações dos parques, que poderão ser trocados por brindes, conforme as séries de trilhas são completadas. Fazem parte do programa 40 trilhas de diversas regiões do Estado, que foram divididas de acordo com a dificuldade para percorrê-las: baixa, média e alta. Quando as de nível baixo são concluídas, os carimbos podem ser mostrados nos parques, em troca de uma garrafinha do tipo Squeeze. Quem completa as de nível médio ganha uma pochete com porta-máquina fotográfica e Squeeze e quem realizar as de nível alto recebe uma mochila para trilhas. O documento totalmente carimbado dá direito a uma camiseta, onde está escrito "Trilhas de São Paulo: Eu Fiz". Os percursos escolhidos para o programa receberam investimentos em infra-estrutura, como reformas em banheiros e instalação de placas para orientar os visitantes. A sinalização é padronizada em todos os caminhos, mas as semelhanças terminam aí, pois cada trilha possui um atrativo diferente. A mais curta é a da Vida, no Parque Ecológico do Guarapiranga, na zona sul da capital paulista. Os 65 metros do trajeto são percorridos com os olhos vendados e os pés descalços - para que os visitantes sintam de uma forma diferente a natureza. O caminho também costuma ser usado por deficientes visuais, como terapia. No outro extremo, estão trilhas que levam até nove horas para serem percorridas. É o caso da Divisor das Águas, que fica nos municípios de Guapiara e Ribeirão Grande, na região sudoeste do Estado. O trajeto de ida e volta - 9 quilômetros - é feito em aproximadamente nove horas e os visitantes enfrentam terrenos desnivelados e argilosos, atravessam rios e passam por cavernas. MONITORES Na maior parte das trilhas, os visitantes percorrem o caminho pela mata atlântica, podendo ver animais em extinção, como o macaco mono-carvoeiro. No Parque Intervales, um dos principais atrativos é a atividade bird watching - observação das cerca de 450 espécies de pássaros que habitam a área. Os visitantes recebem o auxílio de monitores em determinadas trilhas, que geralmente são moradores da região que conhecem bem os parques ou especialistas em atividades como rafting e mergulho. Isso porque em algumas delas os visitantes descem corredeiras ou fazem parte do percurso dentro da água, como na Trilha Subaquática, em Ubatuba, no litoral norte, onde o caminho de ida - cerca de 350 metros - é feito pelo mar e a volta é por terra, na Trilha do Engenho. Um dos principais objetivos do programa é interligar os ecossistemas. Um dos exemplos analisados na elaboração do Trilhas de São Paulo foi o Appalatian Scenic Trail - parque-trilha que interliga a costa leste dos Estados Unidos ao Sendero do Chile, percorrendo todo o país sul-americano. Segundo a gerente de ecoturismo da Fundação Florestal, Anna Carolina Lobo, o Trilhas de São Paulo também pretende garantir a conservação dos parques, por meio da geração de renda. "Uma das grandes ameaças para os parques é a ação dos próprios moradores da região, principalmente com a extração de palmito, de madeira e caça."

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