Triturador de cana pode ter matado operário em usina

Colegas encontram vestígios de calça jeans no equipamento, em Dois Córregos (SP)

Jair Aceituno, especial para o Estadão,

12 Outubro 2007 | 15h13

O operário Daniel Amaro da Silva, de 24 anos, que trabalhava no triturador de bagaços de cana da Usina Dois Córregos, do Grupo Cosan, no interior de São Paulo, está desaparecido desde quarta-feira, 10, quando cumpria o turno das 7 às 15 horas. Quando deram por sua falta, outros trabalhadores do setor pararam a máquina e passaram a procurá-lo. A maior probabilidade é que ele tenha caído ou pulado dentro do triturador.   Seus colegas recolheram pedaços minúsculos de brim, tecido de calças jeans, e de plástico preto e amarelo que podem ser da roupa e do capacete, além de materiais com a aparência de pele e osso humanos.   As amostras foram apreendidas pela polícia e remetidas ao Instituto Médico Legal, para identificação. O delegado José Carlos Freitas de Cara abriu inquérito para apurar o acontecido. Se os exames confirmarem que a pele ou o osso apreendidos pertencem ao operário, passará a investigar em que condições ocorreu o acidente, ouvindo outros empregados do setor e pessoas relacionadas ao trabalho e à vitima.   O Grupo Cosan, por sua assessoria de imprensa, trata o caso como desaparecimento, afirmando que aguarda as apurações policiais mas, antes disso, já acionou seu departamento de serviço social para amparar e atender a família da vítima.   Silva faz parte de um grupo de trabalhadores safristas vindo de Cupira (PE) para trabalhar na usina. Era a primeira vez que trabalhava em São Paulo, e estava registrado na usina desde abril mas, segundo outros trabalhadores, dias atrás disse estar disposto a deixar o trabalho e voltar para o Nordeste.   O laudo do IML sobre o material colhido na usina deverá ser expedido nos próximos dias e, se confirmar serem pedaços da roupa e do corpo do operário, servirá de base legal para a declaração de sua morte e expedição do atestado de óbito.

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