''''Tropa de Elite'''' estréia na 6ª-feira

Filme seria lançado no dia 12, mas pirataria antecipou a exibição do longa de José Padilha no Rio e em SP

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

03 Outubro 2007 | 00h00

Foi a coletiva mais concorrida do Festival do Rio 2007, que termina amanhã. O diretor José Padilha, o produtor Marcos Prado e os atores Wagner Moura, André Ramiro, Caio Junqueira e Fernanda Machado foram à tenda do festival, armada na Praia de Copacabana, na zona sul, para falar do filme que virou um fenômeno: Tropa de Elite. Começaram informando que a estréia, programada para dia 12, foi antecipada para depois de amanhã, no Rio em São Paulo. Na capital e no interior paulista, Tropa de Elite será lançado com 140 cópias - 120 em 35 mm e o restante para exibição digital. O que alterou a estratégia de lançamento? A pirataria, claro. "Aqui ao lado está se realizando neste momento (manhã) um debate sobre pirataria. O caso de Tropa de Elite virou exemplar. Como se trata de uma economia informal, é impossível obter dados confiáveis ou exatos, mas os especialistas calculam que 1 milhão de cópias do DVD pirata já foram vendidas", disse o produtor. O fenômeno ultrapassa as fronteiras do cinema brasileiro. Terá efeito no público? "As estimativas de público são sempre apenas isso, estimativas, desejos. Não queremos trabalhar com abstrações. Inicialmente, pensávamos num público de 1,5 milhão de espectadores. Hoje, não sabemos se a pirataria vai prejudicar ou se vai atrair espectadores. Pessoalmente, acredito que Tropa de Elite poderá fazer em torno de 5 milhões de espectadores", projetou Marcos Prado. José Padilha respondeu às acusações de que seu filme é de direita, ou fascista. "Quando fiz Ônibus 174, expondo o ponto de vista do criminoso, fui chamado de radical de esquerda. Agora, me lançam no outro extremo. O fato de expor, desta vez, o ponto de vista da polícia não me faz compartilhar a sua visão de mundo e da sociedade. O capitão Nascimento (personagem de Wagner Moura) não é um herói. Há toda uma construção do personagem para apresentá-lo como um homem em crise, um homem que duvida da sua dedicação à polícia e cuja vida familiar está destroçada", disse o diretor. Falando do papel da classe média no apoio à violência que a vem transformando em refém - é o consumo que alimenta o tráfico, o filme deixa claro -, o ator André Ramiro, que era bilheteiro de um cinema na zona sul do Rio, comparou o tráfico à pirataria, guardadas as proporções. Meticuloso com as palavras - "Muita coisa vem sendo dita e publicada de forma impensada" -, José Padilha expõe a sua opinião pessoal. "A solução dessa guerra passa pela descriminalização das drogas e a liberação da maconha. Se as pessoas podem fumar e beber, duas atividades nocivas, por que só a maconha tem de ser criminalizada?" Mas ele sabe que o problema é amplo: "Não será resolvido com uma canetada."

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