Tucano cita aborto para criticar Dilma

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, ao retomar a discussão sobre o aborto, afirmou ontem que a questão não é ser contra ou a favor. Segundo ele, é uma questão de valores. "O que está em questão agora, nesta campanha, não é ser contra ou a favor. É a mentira. Quem é a favor, de repente, diz que é contra por motivos eleitorais, isso é que está errado. A questão é dizer a verdade", afirmou, nesta tarde, em seu comitê eleitoral na cidade de São Paulo.

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2010 | 00h00

Acompanhado do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do vice-governador eleito, Guilherme Afif Domingos, e do senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Serra negou que tenha colocado o assunto do aborto em sua agenda.

Ele afirmou que foi indagado, várias vezes, sobre a questão pela imprensa e alegou que sempre respondeu ser contrário à prática por motivos de natureza pessoal, crença e valores.

"Eu não tenho duas posições: uma pessoal e outra, eleitoral. Eu não fico mudando de opinião, segundo eu acho que é o "vento" do eleitorado", argumentou. O candidato acrescentou que respeita a atual legislação que permite o aborto em casos de estupro e risco para a gestante.

Sugeriu ainda que o debate no segundo turno da campanha avance também em outros temas, como educação e saúde. "Acho que a gente deve aproveitar o debate do segundo turno para ajudar a nascer um Brasil com valores claros. Quais são esses valores? A verdade, a honestidade, a solidariedade e a justiça. Esses são valores essenciais, ao lado de questões como saúde, educação e economia."

Assédio a Marina. Serra negou que venha pressionando o PV da candidata derrotada Marina Silva e garantiu que o PSDB também não ofereceu cargos para o partido em troca de apoio no segundo turno. "Me parece impróprio pressionar o partido", disse, ao reforçar que respeita o processo de discussão interna do PV. "Não é de bom tom (pressionar), não é adequado. Eu pessoalmente não estou fazendo nenhum tipo de pressão. Não considero isso legítimo."

De acordo com o tucano, também não é adequado falar em cargos antes do resultado das urnas. "Dá azar falar em ministério sem ganhar a eleição", disse Serra.

Vestido com um suéter verde, o candidato negou que a cor escolhida seja uma insinuação de sua aproximação com o PV. Respondeu que a namorada do senador eleito por Minas Aécio Neves (PSDB), Letícia Weber, reclamou que ele só usava a cor azul. "Em homenagem à namorada do Aécio, eu coloquei o suéter verde."

Guerra. O senador Sérgio Guerra negou que o PSDB tenha colocado em discussão a questão do aborto e afirmou que o assunto ganhou força porque a candidata do PT "se atrapalhou".

"Nós não temos nada a ver com isso. Eles que se expliquem, não é um problema da gente", afirmou o senador, que se reuniu na tarde de ontem com Serra, no comitê eleitoral do candidato em São Paulo.

Para Guerra, faltou "presença" da petista na hora de explicar sua posição. O senador avaliou que a candidata foi dúbia em sua fala. "Ela tem de falar, é um problema dela."

O parlamentar criticou a petista por ter evitado questões polêmicas, como as denúncias de tráfico de influência na Casa Civil, que culminaram na saída da ministra Erenice Guerra.

"Não deu para se esconder na questão do aborto e se deu mal."

Segundo ele, o assunto é pertinente porque os eleitores manifestaram interesse sobre a questão. "Ela não sabe o que dizer e acabaram fazendo uma confusão no ambiente deles (petistas)."

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