Marcos Brandão/Obritonews
Marcos Brandão/Obritonews

Tucano exibe incidente na TV e recorda ataque a Covas em 2000

Programa de Serra mostra a confusão no Rio sem a cena da agressão. O de Dilma mostra versão da bolinha de papel

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2010 | 00h00

Os incidentes de Campo Grande, na periferia do Rio, onde um grupo de militantes do PT tentou impedir a caminhada do presidenciável José Serra (PSDB), foram o ponto forte do seu programa eleitoral, ontem na TV - e tiveram resposta em seguida, nos 10 minutos de Dilma Rousseff (PT).

A apresentadora tucana abriu o programa dizendo que "os brasileiros lutaram muito para reconquistar a democracia, regime da liberdade e da tolerância" e, por isso, "é inaceitável o que aconteceu nesta quarta-feira". Numa introdução de 75 segundos, o programa dedicou 26 deles ao empurra-empurra no calçadão de Campo Grande, mas não exibiu o momento em que o candidato foi atingido nem o que lhe foi atirado na cabeça.

Enquanto na tela aparecia o candidato na rua, a apresentadora falava em "uma caminhada pacífica e calorosa". Pouco depois, gritaria e confusão. "Serra é atingido na cabeça e, agredido, deixa o local", diz a apresentadora. Ele foi ao médico e "teve de interromper sua campanha no Rio". Em seguida, faz-se uma ponte com um episódio ocorrido com Mário Covas, em maio de 2000.

Covas, então governador, foi atacado na rua por um manifestante, numa visita a Diadema, no ABC paulista. Escapou com ajuda de seguranças e subiu a um palanque de onde gritou para a plateia: "Eu fui cassado para garantir o direito de vocês falarem. Não o direito de me dar uma paulada na cabeça." A apresentadora pergunta: "Essa é a democracia que você quer para o Brasil?"

O programa de Dilma começou, em seguida, com mais PSDB - um direito de resposta para desmentir as acusações de que ele privatizou a CSN e 31 empresas em São Paulo: "Serra era deputado, a CSN foi privatizada no governo Itamar Franco."

Foi no minuto final que a confusão do Rio veio à tela. Depois de um aviso de que o PT "é contra qualquer tipo de violência, mas também contra qualquer tipo de manipulação", o programa reproduziu parte de um vídeo mostrado pelo SBT segundo o qual o tucano foi atingido apenas por uma bolinha de papel e que tudo o que se seguiu foi simulado. Ressalta que a bolinha o atingiu do lado direito da cabeça e que ele passou a mão no lado esquerdo. "Uma bolinha de papel, nada mais", diz o texto.

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