Tucano que já pediu 2 cassações vai relatar caso Jaqueline Roriz

Em relatórios anteriores, Carlos Sampaio defendeu afastamento, mesmo quando se tratava de [br]fato anterior ao mandato

Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 Março 2011 | 00h00

O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PDT-BA), escalou um promotor de Justiça com fama de rigoroso para relatar o caso da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada recebendo R$ 50 mil em 2006 no escândalo do "mensalão do DEM". O nome de Carlos Sampaio (PSDB-SP) foi anunciado ontem após uma sondagem feita por Araújo com vários partidos.

O relator afirmou ao Estado que seu papel é dar contexto às imagens, divulgadas com exclusividade pelo portal do jornal. "São imagens contundentes, mas é preciso contextualizar. Não sei ainda o que ela vai dizer, como vai justificar."

Sampaio quer evitar um posicionamento sobre o mérito. "Não se pode prejulgar ou achincalhar alguém antes de analisar as provas. Temos de nos posicionar como magistrados."

O primeiro assunto que o relator pretende esclarecer é a jurisprudência do Conselho de Ética sobre casos anteriores ao mandato. Sua ideia é apresentar a questão da temporalidade como uma preliminar. Por esse formato, o Conselho decidiria se pode ou não julgar Jaqueline antes de analisar o mérito das acusações.

O histórico de Sampaio indica que ele defenderá a tese de que Jaqueline deve ser julgada, mesmo se tratando de um episódio anterior ao mandato. Em 1999, na Assembleia Legislativa de São Paulo, ele foi o autor do processo que decorreu na cassação de Hanna Garib, acusado de pertencer à chamada "máfia dos fiscais" quando ainda vereador. Em 2003, já na Câmara dos Deputados, Sampaio fez parte de uma comissão que investigou Pinheiro Landim por intermediar a venda de habeas corpus para pessoas ligadas ao narcotráfico. O caso também tinha acontecido em mandatos anteriores e Landim renunciou para escapar da investigação. Ambas as ações tiveram respaldo do Judiciário. Em sua única manifestação até agora sobre as imagens, Jaqueline afirmou que o dinheiro recebido era para "caixa 2" eleitoral.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.