Tucanos fazem último esforço pelo 2º turno

Em Osasco, Serra cola no prestígio de Alckmin, que lidera pesquisas para voltar a ocupar o Palácio dos Bandeirantes

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

Enquanto o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, aposta na popularidade do presidente Lula para levar a eleição estadual ao segundo turno, o presidenciável José Serra colou no prestígio do tucano Geraldo Alckmin (PSDB) - líder nas pesquisas para de novo ocupar o Palácio dos Bandeirantes - para tentar forçar um segundo turno na corrida ao Planalto.

Serra saiu às ruas de Osasco em companhia de Alckmin, num último esforço para impedir que sua rival Dilma Rousseff (PT) garanta a vitória amanhã mesmo. Sua campanha, contudo, sofreu um revés a dois dias da eleição. O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, declarou ontem que não votará no tucano e liberou os correligionários de seu partido para apoiarem o candidato que desejarem.

O PTB, ao lado do DEM e do PPS, era um dos principais partidos aliados aos tucanos na corrida presidencial. O apoio ao PSDB, referendado em convenção em junho, serviu principalmente para engordar o tempo de TV do presidenciável. Rendeu 46 segundos por bloco na propaganda de Serra na televisão.

"A coisa azedou desde a convenção. Eu não quero mais. Quem joga sozinho perde sozinho", declarou Jefferson. Questionado pelo Estado sobre a razão de fazer o anúncio na véspera da eleição, afirmou: "Isso tem de ser feito na hora certa. Reagi na hora que tinha de reagir".

Em caminhada ontem por Osasco, na Grande São Paulo, Serra evitou comentar as declarações do petebista. Disse que não tinha conhecimento do assunto e que estava sabendo do tema pelos próprios jornalistas que o acompanhavam.

Roberto Jefferson fez o anúncio ontem por meio do seu Twitter: "Como presidente do PTB, libero meus companheiros a escolherem seu candidato a presidente do Brasil". Aproveitou para anunciar que o seu voto para presidente será para Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Jefferson também ligou para as principais lideranças do PTB nos Estados para falar sobre a sua decisão.

No final da tarde, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), telefonou para Jefferson para tentar apaziguar a situação. Não adiantou. "Faz algum tempo que Roberto vem sustentando divergências. Considero ele um líder de muita qualidade", disse o presidente tucano.

Indagado sobre a repercussão que o anúncio de Jefferson poderia ter na campanha do PSDB, Sergio Guerra afirmou que "não necessariamente" haverá perdas de votos para o candidato.

Clima. Durante a campanha, a relação de José Serra com alguns líderes de partidos aliados se deteriorou. O candidato chegou a bater boca por telefone com o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), em razão de uma declaração do aliado a um jornal.

Jefferson também já havia manifestado sua insatisfação com os rumos da campanha e com a forma como o candidato não defendia seu apoio publicamente. "Ele ficava constrangido em dizer que tinha meu apoio", disse.

A participação de José Serra no Jornal Nacional, da Rede Globo, em agosto, quando foi questionado sobre o apoio de Jefferson e disse que "não tinha compromisso com erro", também ajudou a azedar a relação com o petebista. Para os tucanos, os desentendimentos com integrantes de legendas aliadas passam pela distribuição de recursos da campanha e pelo fato de Serra estar em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto mais recentes - sem a perspectiva de poder, aliados se sentiriam mais livres para costurar o futuro político.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.