Tucanos mandam carta a empresários; PT eleva previsão de gasto a R$ 191 mi

Na reta final do segundo turno, PSDB e PT correm atrás de novos doadores para tentar fechar as contas de suas campanhas

Julia Duailibi,Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2010 | 00h00

Na tentativa de aumentar a arrecadação na reta final da campanha eleitoral, o comitê financeiro do presidenciável tucano, José Serra, enviou carta para cerca de 200 empresários que não haviam contribuído no primeiro turno. Arrecadadores do PSDB já avaliam que levantarão R$ 40 milhões a menos que a estimativa inicial.

A mensagem mandada para os empresários, na semana passada, é assinada pelo presidente do comitê financeiro, José Gregori. No texto, os tucanos "convidam" empresários a contribuir com a campanha e dão o caminho das pedras, como o número do CNPJ e o da conta corrente que recebe os recursos doados.

Os empresários procurados desta vez fazem parte de um grupo de companhias menores, que não haviam sido contatadas no primeiro turno, quando foram procuradas as 150 maiores empresas do País.

Apesar do esforço extra nas últimas duas semanas de campanha, o PSDB já avalia que não conseguirá alcançar o teto de arrecadação de R$ 180 milhões, informado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No primeiro turno, foram arrecadados cerca de R$ 70 milhões, para fazer frente a R$ 90 milhões em custos com os programas de TV e gráficas, cujas despesas foram sendo faturadas para os próximos meses.

A expectativa agora é que sejam levantados até novembro outros R$ 70 milhões. Na segunda prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral no começo de setembro, o comitê informou ter captado R$ 29,7 milhões. Agora, os arrecadadores dizem estar mais otimistas, pois os empresários estariam mais "generosos" em razão da passagem de Serra para o segundo turno da disputa.

Fazem parte da força-tarefa na arrecadação tucana o ex-candidato a vice-governador pelo PSDB do Rio Márcio Fortes, o ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho, o ex-vice-presidente do Itaú Sérgio Freitas e o secretário de Cultura Andrea Matarazzo.

O presidente do PSDB e coordenador da campanha, senador Sérgio Guerra, diz não ter preocupação sobre a arrecadação da campanha de Serra: "Nós vamos cumprir nosso orçamento".

PT. A disputa no segundo turno das eleições presidenciais obrigou o PT a assumir uma despesa extra nos Estados que pode elevar o custo total da campanha de R$ 157 milhões para R$ 191 milhões. No primeiro turno, segundo o tesoureiro da campanha, José de Filippi Júnior, já foram arrecadados cerca de R$ 100 milhões e gastos R$ 95 milhões. O partido agora inicia novos contatos com potenciais doadores para arrecadar os R$ 91 milhões restantes para o segundo turno.

"Os gastos totais devem ficar em R$ 176 milhões para o comitê de Dilma e outros R$ 15 milhões para o de Michel Temer (PMDB)", disse o tesoureiro.

O PT estimava gasto para o segundo turno de até R$ 8 milhões nos Estados só para a disputa presidencial, mas o valor agora já foi revisto para R$ 25 milhões. É por conta desta diferença, segundo Filippi, que o montante global precisou ser reavaliado.

Das doações arrecadadas no primeiro turno, de acordo com o tesoureiro, quase 60% foram utilizadas para gastos com a propaganda eleitoral em TV e rádio e com material de publicidade. No mês de setembro a campanha de Dilma fez um repasse à União de aproximadamente R$ 1 milhão para cobrir gastos com deslocamentos do presidente Lula para eventos da campanha.

O investimento maior do comitê financeiro será feito em São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso. Segundo o tesoureiro, o PMDB assumiu mais atribuições no segundo turno, sobretudo nos Estados onde é mais forte e organizado, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o que explicaria a elevação dos custos.

A reestimativa do custo total da campanha de Dilma já foi feita formalmente ao Tribunal Superior Eleitoral.

Doações

R$ 70 milhões

foi quanto o PSDB arrecadou no primeiro turno das eleições, menos da metade do teto de arrecadação previsto no início da campanha, de R$ 180 milhões

R$ 100 milhões

foram arrecadados pelo PT no primeiro turno. Custo total pode chegar a R$ 191 milhões

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