Tuma recebe coração artificial

Com doença em estágio irreversível, senador foi submetido a cirurgia para colocação de aparelho

Fausto Macedo e Herton Escobar, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2010 | 00h00

O senador Romeu Tuma (PTB-SP), de 79 anos, foi submetido a uma cirurgia para colocação de um dispositivo de assistência circulatória Berlin Heart - equipamento de metal utilizado em casos de insuficiência cardíaca.

O procedimento foi realizado sábado, mas só comunicado oficialmente ontem pelo Hospital Sírio-Libanês, onde o petebista está internado há 38 dias. A informação de que Tuma fora submetido à cirurgia foi antecipada ontem pela coluna Direto da Fonte, da jornalista Sonia Racy.

O aparelho que ajuda o coração enfraquecido do veterano delegado de polícia é fabricado na Alemanha. É o segundo caso de colocação desse equipamento no Brasil. "O paciente está evoluindo de maneira satisfatória", informou boletim divulgado às 15h10 de ontem pela equipe médica que cuida de Tuma, coordenada por Rogério, seu filho.

Não há previsão de alta. A operação durou sete horas. O coração continua dentro do corpo e funcionando. Quatro médicos e dois anestesistas participaram dos trabalhos, além de um engenheiro e um cardiologista da companhia fornecedora do Berlin Heart, um hematologista, uma instrumentadora e duas técnicas.

A decisão sobre a cirurgia foi tomada pela família de Tuma diante do "quadro crítico" em que ele se encontrava. Apesar disso, foi mantida sua candidatura pela reeleição ao Senado - mesmo longe das ruas ele recebeu 3,97 milhões de votos, insuficientes para reconduzi-lo ao posto.

Doze cirurgiões e especialistas alertaram que a doença atingiu um "estágio irreversível", em que a aplicação de medicamentos não basta, e havia complicações que punham em risco os rins, o fígado e outros órgãos. A junta concluiu pela necessidade da operação como uma chance derradeira para o senador.

O Berlin Heart é como se fosse um coração artificial. É basicamente uma bomba ligada a um tubo que capta o sangue oxigenado que vem da veia pulmonar, e o injeta diretamente na aorta, sem passar pelo lado esquerdo do coração - que normalmente faria esse bombeamento. Só uma pequena quantidade do sangue continua fazendo o caminho normal pelo coração. O fluxo é de 4 litros por minuto, igual ao de uma pessoa sadia. E o aparelho é permanente, ligado a uma bateria externa. Vai ficar no peito de Tuma pelo resto de sua vida. "É um mecanismo muito complexo e sofisticado", destaca Fábio Jatene, cirurgião cardiovascular e torácico que conduziu a operação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.