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Tumulto acaba com audiência sobre licitação de transporte em Porto Alegre

Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

10 Março 2014 | 22h 41

Parte do público chegou a passar pelas divisórias metálicas da arquibancada e invadiu a quadra do ginásio onde reunião estava sendo realizada

PORTO ALEGRE - A audiência pública que discutiria a licitação do transporte coletivo de Porto Alegre foi interrompida depois de um tumulto e de manifestações nesta segunda-feira. 10. Cerca de 400 pessoas entraram no ginásio mediante identificação e 83 delas se inscreveram para falar. O diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Capellari, abriu os trabalhos tentando ler o esboço do edital. Foi interrompido pelos gritos de uma parte do público que estava nas arquibancadas.

O grupo chegou a passar pelas divisórias metálicas e invadir a quadra do ginásio. Contido pela Guarda Municipal, recuou, mas detonou alguns rojões e não parou de gritar.Um dos inscritos tentou falar e também teve suas palavras abafadas. Depois de meia hora de tentativas, a audiência foi encerrada.

Por determinação da Justiça, a prefeitura está obrigada a lançar a licitação até o final deste mês. A audiência pública é obrigatória na fase de elaboração do edital. A procuradoria geral do município vai avaliar se a audiência, que foi aberta e encerrada em meia hora, pode ser considerada válida ou se a consulta feita à população em reuniões do Orçamento Participativo pode cumprir a exigência legal.

Ao saber do desfecho, o prefeito José Fortunati (PDT) manifestou-se pelo Twitter. "Lamentável a postura dos militantes do Bloco de Lutas", afirmou, referindo-se ao movimento que promove manifestações pela gratuidade do transporte desde junho do ano passado pelas ruas de Porto Alegre. "Com pedras, rojões e pedaços de pau, agredindo as pessoas que participavam da assembleia, o Bloco de Lutas deu uma clara demonstração de que não deseja que a licitação aconteça", prosseguiu o prefeito. "É mais fácil criticar a administração da cidade se a licitação não for realizada. É a velho política do quanto pior, melhor. Mas não vamos nos entregar a quem não deseja o bem da cidade".