Gabriela Biló
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Uber atende demanda reprimida de táxis, aponta estudo do Cade

Análise avaliou mercados como São Paulo e Rio e os resultados não fornecem evidência de que corridas de táxis tenham diminuído

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2015 | 00h13

BRASÍLIA - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) divulgou nesta segunda-feira, 14, estudo que revela que a entrada do aplicativo Uber no mercado brasileiro não influenciou significativamente o mercado de táxis. De acordo com a análise do conselho, o Uber passou a atender uma demanda reprimida, que não utilizava os serviços dos taxistas.

O estudo avaliou os mercados já atendidos pelo Uber, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, e locais em que o serviço ainda não é oferecido, como Recife e Porto Alegre, no período de outubro de 2014 e maio de 2015.

“Os resultados obtidos não fornecem qualquer evidência de que o número de corridas de táxis contratadas nos municípios do grupo de tratamento (onde existe Uber) tenha apresentado desempenho inferior aos do grupo de controle (onde não existe). Isso significa que não podemos sequer assumir, até o presente momento, a hipótese de que os serviços prestados pelo aplicativo Uber estivessem no mesmo mercado relevante dos serviços prestados pelo 99taxis e Easy Taxi”.

O Cade afirma que as evidências observadas sugerem a criação de um novo mercado, mas que a tendência é que a rivalidade cresça entre o Uber e as corridas de taxi, aumentando a competição entre agentes econômicos e dando mais opção aos consumidores.

“Até o momento, o Uber não “usurpou” parte considerável dos clientes dos táxis, nem comprometeu significativamente o negócio dos taxistas, mas sim gerou uma nova demanda”, conclui.

Em setembro, outro estudo divulgado pelo Cade também mostrou que os aplicativos de caronas pagas atendem um mercado até então não alcançado pelos taxis. Em novembro, a Superintendência-Geral do conselho decidiu abrir processo contra associações de taxistas que tentam barrar a entrada do aplicativo no mercado de transporte individual remunerado.

De acordo com o órgão, enquanto a controvérsia jurídica sobre a legalidade do aplicativo não for decidida pelos Poderes da República, a empresa deve ser considerada uma concorrente como qualquer outra e deve ser protegida de condutas anticompetitivas.

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