Um grande brasileiro

Para a grande maioria do povo brasileiro, fica a imagem do vice que tinha opinião própria e aproveitava todas as ocasiões para defender seus ideais

Robson Braga de Andrade, O Estado de S.Paulo

31 Março 2011 | 00h00

Nos últimos anos, em meio à sua comovente luta pela vida, José Alencar repetiu várias vezes que não tinha medo da morte, mas da desonra. Fazia questão de dizer que esse era um sentimento que tomava emprestado de "um grande grego", referindo-se a Sócrates. Ao partir, deixa como legado um modelo de coragem e dignidade. O Brasil inteiro, solidário e emocionado, acompanhou a infinidade de entradas e saídas do hospital a que ele se submeteu sem jamais perder a sobriedade sincera, a humilde altivez.

Para a grande maioria do povo brasileiro, fica a imagem do vice que tinha opinião própria e aproveitava todas as ocasiões para defender seus ideais. No meio empresarial, a presença de Alencar tem uma história bem mais longa, igualmente expressiva. Ninguém o supera como representante legítimo do brasileiro capaz de enxergar as oportunidades existentes no mundo empresarial. Interiorano, filho de comerciante, menino vendedor no balcão paterno e depois caixeiro na loja de um amigo da família, mudou de cidade e, ainda adolescente, montou o seu negócio, "A Queimadeira", que vendia de tudo um pouco.

Sua vida e sua obra o elevaram à condição de referência entre os industriais mineiros e brasileiros, conferindo-lhe uma liderança natural: foi, por dois mandatos sucessivos, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e seu presidente de honra. À frente do Sistema Fiemg, o Zé - assim os amigos o tratavam - preocupou-se em levar a todos os pontos do Estado os benefícios sociais gerados pelos Sesi e Senai.

Decidido a entrar na vida pública - para devolver à sociedade o que dela havia recebido, ele fazia questão de dizer -, protagonizou a mais fulminante carreira política da história de Minas: sem nunca ter pertencido a nenhum partido, começou como candidato a governador em 1994, elegeu-se senador em 1998 e chegou à Vice-Presidência. Certamente não há, no cenário político nacional, quem tenha conseguido tanto em tão pouco tempo. É com respeito, portanto, que nos despedimos de José Alencar, exemplo de líder, um grande brasileiro.

PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI)

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