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Usuários de ônibus adiantam saída de casa em até 3h no Rio

O Estado de S. Paulo

08 Maio 2014 | 21h 10

Paralisação causou transtornos e confrontos; mais de 400 veículos foram danificados

RIO - Na zona norte do Rio, passageiros de ônibus se dividiam sobre a greve. Até quem foi prejudicado pela paralisação defendeu a reivindicação por salário maior, mas a maioria criticou o uso da violência.

Moradora da Tijuca, Cláudia Amorim, de 45 anos, saiu de casa com três horas de antecedência para chegar a uma audiência no centro. Mesmo assim, ela concordou com a paralisação dos empregados do transporte público. "A greve me afeta, mas eu acho que eles (motoristas e cobradores) estão certíssimos. Se não lutarmos pelos nossos direitos, quem vai lutar?"

Já a desempregada Mariana Bruno, de 20 anos, discorda da paralisação e, principalmente, dos atos de vandalismo. Moradora de São Gonçalo, na Região Metropolitana, ela conseguiu chegar ao Rio sem dificuldade. Os problemas começaram quando ela entrou na capital. "Eles (grevistas) esquecem que deputado, prefeito e governador não andam de ônibus. Quem anda somos nós, que estamos sendo prejudicados."

Bloqueio. Grupos de grevistas se reuniram na porta de diversas garagens de ônibus da cidade para impedir que funcionários saíssem com os veículos. Na Avenida Brasil, na frente da garagem da Auto Viação Real, cerca de 30 manifestantes tentaram fechar a via, uma das principais da cidade, mas foram impedidos por policiais militares.

"Estamos protestando porque o sindicato não representa a gente. Não concordamos com esse reajuste (de 10%, oferecido pelo sindicato patronal) e, mesmo assim, eles assinaram", disse o motorista Anderson Nascimento, uma das lideranças dos trabalhadores da empresa.

"Rodoviário trabalha sob pressão. Somos cobrados o tempo inteiro. Eles (donos das empresas) não pagam todas as horas extras e tem motorista com dupla função que recebe salário normal (R$ 1.779,83). Se formos assaltados, temos de pagar do nosso bolso, mesmo apresentando registro de ocorrência", contou o cobrador da Viação Real, Carlos Oliveira.

Por causa da greve, um funcionário da Transportes Barra que se identificou apenas como Fábio precisou deixar a função administrativa e, por um dia, voltou a exercer o cargo de motorista. Ele seguia de Jacarepaguá, na zona oeste, para o centro e teve o ônibus depredado quando passava por Vila Isabel, na zona norte. Um grupo em um carro particular jogou pedras no para-brisas e levou a chave do veículo.

"Quem fez isso vai ganhar o mesmo aumento que a gente (que continua trabalhando)", disse Fábio. "Não precisa dessa violência."

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