Pablo Valadares/AE-18/12/2007
Pablo Valadares/AE-18/12/2007

Valdemar sempre mira área financeira

Hábil no bastidor, secretário-geral do PR articulava para pôr nome de sua confiança em diretorias da Valec e do Dnit que detêm ''chave do cofre''

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2011 | 00h00

As indicações feitas pelo secretário-geral do PR, deputado Valdemar Costa Neto (SP), revelam que a chave do cofre está sempre em sua mira. Operador político que negocia as posições do partido no Executivo e hábil no bastidor, ele articulava, reposicionava pessoas e manobrava para atingir seu objetivo: plantar um nome seu na Diretoria Administrativa e Financeira da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. e também na do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Para a cúpula do PR, a Valec sempre foi um "consórcio" Valdemar-Sarney, operado no governo Lula pela dupla conhecida como Juquinha e Chiquinho. Valdemar tinha Joaquim Francisco das Neves, o Juquinha, como diretor-presidente. Ao empresário Fernando Sarney - filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) - era creditada a indicação de Francisco Elísio Lacerda, o Chiquinho, para diretor administrativo e financeiro da empresa, com o aval de Valdemar.

Já sob o governo Dilma, quando o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento ficou mais dócil ao PR - que o manteve no posto - e mais próximo de Valdemar, o secretário-geral do partido fez um remanejamento para tomar conta da Diretoria Financeira. Mas tudo sem degolar o homem de Sarney.

Chiquinho foi deslocado para a Diretoria de Planejamento, abrindo espaço para que Valdemar entregasse o controle do cofre a uma pessoa de sua confiança pessoal: Antonio Felipe Sanchez de Costa.

Um dirigente do PR diz que o resultado dessa operação é que, hoje, Valdemar tem o controle da Valec. Com a saída de Juquinha, demitido por ordem da presidente Dilma Rousseff, quem responde interinamente pela Valec é Antonio Felipe Sanchez de Costa, homem de Valdemar.

Segundo a assessoria de imprensa do PR, no entanto, o nome de Antonio Felipe "não consta das indicações formuladas pelo deputado Valdemar Costa Neto". Mas um dos principais colaboradores do parlamentar admite que, na prática, tudo passava por ele. "Na condição de secretário-geral do partido, Valdemar é o avalista compulsório de todas as indicações políticas do PR", afirma o assessor.

"Faxina". Movimentação semelhante à da Valec também estava em curso no Dnit, mas dessa vez a "faxina" presidencial andou mais rápido e abortou a operação do secretário-geral do PR. Em maio, o antigo chefe de gabinete de Nascimento, Mauro Barbosa, enviou ao Senado mensagem indicando outro apadrinhado de Valdemar para assumir a Diretoria Administrativa e Financeira do Dnit.

A indicação de Augusto César Barbosa de Souza para diretor do Dnit estava na pauta da Comissão de Infraestrutura do Senado, mas como seu nome não chegou a ser apreciado antes do recesso parlamentar Dilma interveio. Determinou que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, enviasse mensagem ao Senado na semana passada, "desindicando" Augusto César.

Na reabertura dos trabalhos do Senado, Sarney deverá ler e, em seguida, deferir a mensagem que retira essa indicação. Como não houve manifestação da Comissão de Infraestrutura, o plenário não precisará ser ouvido. Bastará o deferimento do presidente do Senado para pôr um ponto final na investida do PR.

Diferentemente do Dnit, onde todos os diretores têm de passar por sabatina no Senado e dependem de aprovação pelo plenário, as indicações políticas para a Valec independem do crivo dos senadores. No caso do ex-diretor da empresa, por exemplo, bastaram a vontade de Valdemar e o apoio do deputado Milton Monti (PR-SP) para emplacar Juquinha na presidência.

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