Vale será autuada por vazamento de duto de rejeitos em Minas Gerais

A região do Estado é a mesma que foi atingida pelo desastre ambiental com a barragem da Samarco, em Mariana

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

15 Março 2017 | 23h45

RIO - A secretaria de Meio Ambiente de Itabirito, Minas Gerais, encaminhou um auto de infração à Vale em função do vazamento em um duto de rejeitos na mina de Fábrica. A mineradora terá um prazo de 20 dias para apresentar sua defesa. É o segundo acidente envolvendo a mesma mina desde dezembro. A região do Estado é a mesma que foi atingida pelo desastre ambiental com a barragem da Samarco, em Mariana, em novembro de 2015.

"Existe uma preocupação, porque há um potencial danoso, mas nada parecido com Mariana", disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o secretário de Meio Ambiente de Itabirito, Antônio Marcos Generoso. A controlada da Vale e da BHP Billiton tinha capacidade para depositar 300 milhões de toneladas de rejeitos. Segundo Generoso, o volume na maior barragem de Fábrica, Forquilha IV, é quase cem vezes menor: 4 milhões de toneladas.

A unidade de Fábrica fica no município vizinho de Ouro Preto, mas o episódio acabou atingindo o Rio Itabirito. De acordo com o auto, a poluição se apresentou nas formas de turbidez e assoreamento. No dia seguinte ao acidente, que ocorreu no domingo, o secretário fez uma vistoria nos dez pontos de monitoramento do curso d'água do rio. A mina de Fábrica também foi vistoriada por um fiscal, acompanhado por representantes da mineradora, para investigação.

"A notificação à empresa deve ser transformada em multa. O processo administrativo depois será encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG)", explicou Generoso. 

O episódio será levado ao Comitê de Bacia Hidrográficas do Rio das Velhas (CBH - Rio das Velhas) e ao secretário de Meio Ambiente de Ouro Preto, Antenor Barbosa. Mais cedo, a Vale informou que o problema já foi contido e os esclarecimentos aos órgãos ambientais já foram feitos.

Essa não é a primeira ocorrência envolvendo a mina de Fábrica. Em dezembro passado o rompimento de um bueiro na mesma mina levou ao desmoronamento de parte da estrada de uma de suas cavas. Com isso foram liberados sedimentos que atingiram a unidade de Pires da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). No caso do vazamento do rejeitoduto a suspeita é de problemas de manutenção.

Os consecutivos problemas acendem o alerta na região, já traumatizada por outros episódios. Além do caso Samarco, em setembro de 2014, uma barragem de rejeitos da mineração Herculano se rompeu em Itabirito, matando trabalhadores e atingindo afluentes do Rio das Velhas, que abastecem Belo Horizonte e cidades da região metropolitana.  

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