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Vaticano expulsa arcebispo por pedofilia

Agências internacionais

27 Junho 2014 | 20h 26

Josef Wesolowshi, que foi acusado de abuso sexual na República Dominicana, é a mais alta autoridade eclesiástica a ter essa punição

VATICANO - Autoridades da Igreja Católica determinaram que o arcebispo polonês Josef Wesolowski, acusado de abuso sexual e pedofilia na República Dominicana, seja expulso do sacerdócio.

A decisão, anunciada nesta sexta-feira, 27, pelo Vaticano, foi tomada pela Congregação para a Doutrina da Fé. Wesolowski foi núncio do Vaticano - cargo equivalente ao de embaixador - para a nação caribenha. É a primeira vez que a Santa Sé toma esse tipo de decisão contra um representante de tão elevada hierarquia.

Ele terá dois meses para recorrer da decisão. A pena é a mais severa do Direito Canônico. Wesolowski foi condenado à “demissão do estado clerical”. Na prática, não poderá mais realizar funções sacerdotais nem se apresentar como sacerdote. 

Como diplomata e cidadão do Vaticano, o arcebispo também enfrenta acusações criminais pelo tribunal da Cidade do Vaticano, o que pode resultar em pena de prisão. Enquanto não for julgado, porém, “poderá sofrer restrições de liberdade para não fugir”, informou o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi.

Até o momento, segundo Lombardi, Wesolowski tinha liberdade de ir e vir porque esperava a Congregação para a Doutrina da Fé verificar as denúncias feitas contra ele. “Agora, considerando a sentença, serão adotadas todas as medidas adequadas à gravidade do caso.”

Wesolowski havia sido destituído do cargo de embaixador do Vaticano na República Dominicana em agosto do ano passado, após ser acusado pela Procuradoria-Geral da República por pedofilia contra jovens de baixa renda. Na sequência foram abertas investigações tanto no Vaticano quanto na República Dominicana e na Polônia. O procurador-geral dominicano, Francisco Domínguez Brito, afirmou, em comunicado, que os atos do ex-núncio foram graves. Segundo ele, ao menos sete adolescentes foram abusados. 

João Paulo II. O caso foi considerado particularmente delicado no Vaticano porque Wesolowski foi ordenado como sacerdote e posteriormente como bispo por seu compatriota polaco, o papa João Paulo II. Desde que assumiu, o papa Francisco colocou o combate à pedofilia na Igreja como meta. Em abril deste ano, pediu perdão pelos abusos e assumiu a responsabilidade. “Sinto-me impelido a tomar responsabilidade pessoal por todo o mal que alguns padres, muitos em número - embora não em comparação com a totalidade - e pedir perdão pelo dano que eles causaram”, disse.

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