Visita rápida de Obama à favela decepciona fãs

Presidente joga um pouco de futebol com crianças da comunidade e primeira-dama se anima com apresentação de capoeira na Cidade de Deus

Luciana Nunes Leal e Márcia Vieira / RIO, O Estado de S.Paulo

21 Março 2011 | 00h00

Em meia hora de visita à Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na zona oeste, o presidente Barack Obama deixou eufórico um pequeno grupo que pôde vê-lo de perto e frustrou centenas de moradores mantidos a mais de 50 metros de distância pelo esquema de segurança formado por agentes do serviço secreto americano, policiais militares e do Exército. Obama assistiu a apresentações de percussão e capoeira e bateu bola com alunos de escolas municipais da região, que ganharam chaveiros com o desenho da Casa Branca.

Os privilegiados que conseguiram chegar ao pequeno trecho da Rua Israel, por onde passou a comitiva do presidente americano, foram surpreendidos por vê-lo andando por alguns metros a pé, acenando e mandando beijos para o grupo de maioria feminina instalado na laje de uma casa.

O radialista Roberto Cavalcanti, de 38 anos, tirou a camisa da seleção brasileira que vestia e jogou em cima do carro blindado ocupado pelo americano. "Tive a ideia na hora. Pelo menos ele vai levar uma lembrança daqui".

Moradora da Cidade de Deus desde que nasceu, há 43 anos, Miriam Maria Lino da Silva parecia não acreditar quando, na chegada, às 11h22, Obama acenou e sorriu para ela de dentro do carro."Ele falou comigo! Foi olho no olho. Aleluia! Tenho certeza que ele nunca vai esquecer a expressão dessa mulher que ele viu na Cidade de Deus", comemorou. Ela assistiu à passagem do presidente americano sentada em uma cadeira em frente à casa da vizinha Monike de Paula, técnica de patologia, de 26 anos.

Na saída da comitiva, Miriam recebeu um aceno da primeira-dama Michelle Obama. "Eu vi o discurso dela ontem (sábado) em Brasília. Ela disse tudo que eu tinha vontade de dizer. Não esqueceu a origem humilde. Agora, estou animada a voltar a estudar e depois fazer uma faculdade", disse Miriam.

Com exceção dos poucos segundos na Rua Israel, Obama e sua família passaram todo o tempo da visita na sede da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), onde foram recebidos pelo governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e um grupo de secretários, entre eles José Mariano Beltrame (Segurança).

Mais animada que o marido, Michelle Obama bateu palmas e balançou as pernas ao som da percussão e do ritmo da capoeira. O presidente também estava descontraído e arriscou alguns chutes ao passar por um grupo de crianças que jogava futebol.

Para os moradores barrados ao redor da Praça do Lazer, onde fica a quadra de basquete e o campo de futebol a passagem de Obama pela Cidade de Deus foi frustrante. "Ele achou o quê? Que alguém ia matar ele? A gente só queria um tchauzinho", lamentava Rose Alcântara, 39 anos, uma das primeiras a chegar à praça na esperança de ver Obama.

A frustração não tirou o bom humor da comunidade. "Ih, parece visita de médico. Já foi embora? Eu consegui fazer foto com a xerox dele", divertia-se Judith Bezerra, 56 anos, há 35 moradora da favela. Ela se referia ao sósia de Obama, Rinaldo Gaudêncio, que, segurando uma bandeirinha do Brasil e outra dos Estados Unidos, tirou foto, deu adeus, beijou criança. Um sucesso.

Quando a comitiva foi embora, os moradores não resistiram e soltaram uma sonora vaia e foram curtir o domingo.

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