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Vizinhos de viaduto que desabou em BH criam comissão para acompanhar a perícia

Flórence Couto - Especial para O Estado

05 Julho 2014 | 14h 40

Moradores de condomínios da região temem que as estruturas dos prédios tenham sido abaladas com a queda

Os moradores dos condomínios Antares e Savana formaram neste sábado, 5, uma comissão para acompanhar os trabalhos de perícia e de demolição do viaduto Guararapes. Os condomínios ficam ao lado da construção que desabou na última quinta-feira. A decisão foi tomada após uma reunião entre a advogada do condomínio Antares, Ana Cristina Campos Dumont, e representantes da Defesa Civil. Na ocasião as autoridades e a representante dos moradores acordaram que tudo o que for feito será repassado à comissão. "Está sendo garantido a nós que vão quebrar o viaduto que caiu para que seja liberado o tráfego. Só que queremos garantia de que o condomínio não vai ser afetado e não vamos ter mais uma viga de ferro caída lá dentro. Tudo será registrado em atas que nós vamos assinar", afirmou a advogada. Para garantir o acordo, ela fará um termo de compromisso e pedirá que representantes da Defesa Civil e da Sudecap, que o prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda e que o governador de Minas Gerais Alberto Pinto Coelho assinem o documento. 

 

Nos dois condomínios há 12 blocos com 132 apartamentos. Os moradores temem que a estrutura dos prédios tenha sido abalada. "Temos algumas rachaduras no chão que apareceram depois que o viaduto desabou. No meu apartamento não houve nenhuma rachadura. Mas a olho nu, a gente não pode assegurar nada", contou o representante comercial Natanael Arley, de 37 anos, que mora com a esposa e um filho. Ele explicou que antes do início da obra, os moradores reclamaram do projeto. "Nós ficamos preocupados na época porque o viaduto era muito próximo do condomínio", contou. 

Clayton de Souza/Estadão
"Sabia que tinha algo errado porque enquanto eles mexiam a gente escutava trincar", disse aposentada que mora na região
 

Essa também era uma preocupação da pedagoga Adma Campos Saldanha, de 42 anos. "Nós achávamos que alguma coisa iria acontecer, só não sabíamos se seria antes ou depois de concluída a obra. A gente achou que depois da conclusão pudesse cair algum carro ou moto aqui dentro, porque a curvatura invadia bastante o terreno do nosso condomínio", afirmou a pedagoga. Ela relatou que os operários trabalhavam 24 horas. "Diziam que tinham prazo e que tinham que trabalhar a qualquer hora".

 

Outra moradora do condomínio Antares, Ermelinda da Silva Lobo, 63 anos, contou que chegou a informar aos funcionários da obra que algo estava estranho no viaduto. "Eu passei nele menos de 24 horas antes e comentei com o funcionário 'Eu não estou gostando disso, isso vai cair'. Ele me disse: 'que isso, dona, isso não vai cair, não", contou a aposentada. O alerta feito por ela foi às 16h30 de quarta-feira, véspera do desabamento. "Sabia que tinha algo errado porque enquanto eles mexiam a gente escutava trincar", complementou.