Vizinhos do Palácio Guanabara dizem ter ficado na mira da polícia

Morador afirma que bomba de gás lacrimogêneo foi parar na sua cozinha durante confronto entre policiais e manifestantes nas imediações da sede do governo do Rio nessa quinta-feira

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

12 Julho 2013 | 11h59

RIO - Moradores de prédios vizinhos ou nem tão próximos do Palácio Guanabara, sede do governo estadual do Rio, relataram ter ficado na mira da polícia na noite de quinta-feira, 11. O jornalista Carlos Macedo, que mora próximo à Praça São Salvador, disse que uma bomba de gás lacrimogêneo foi jogada para cima e entrou em sua cozinha. Ele mora no terceiro andar de um edifício da Rua Esteves Júnior, bem perto de onde PMs cercavam manifestantes depois da concentração diante do Palácio Guanabara. Segundo a polícia, 46 pessoas foram presas.

 

"Eu estava vendo TV no quarto quando ouvi o barulho da explosão e veio a fumaça. Ardeu muito os olhos. A gente chorou muito. Até agora (11h30 da manhã desta sexta-feira,12), quando entro na cozinha, sinto uma ardência no rosto", contou Macedo, que guardou o artefato. "Você jamais imagina que alguém vai jogar isso para cima. Não sei se é efeito tático de ampliação da polícia, não vejo sentido."

A engenheira florestal Ana Dantas também teve o apartamento afetado. Ela mora quase em frente ao palácio e a fumaça das bombas chegou até o seu apartamento no segundo andar. Ela já havia passado pelo mesmo problema no confronto de 20 de junho, também entre policiais e manifestantes. "Acho que a polícia está sendo mais agressiva quando combate manifestações nessa região porque o palácio é simbólico, então eles não deixam nem chegar perto. Da outra vez, minha casa toda ficou esfumaçada, mesmo não sendo de frente. Dessa vez foi um pouco menos grave, mas não adiantou nem fechar as janelas", relatou.

Na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em frente ao palácio, está internado Pedro Guimarães Lins, de 27 anos. Ele teve traumatismo craniano e está no Centro de Terapia Intensiva. A clínica teve a porta de vidro da emergência quebrada por um grupo de cerca de 20 manifestantes que buscavam abrigo da polícia. Eles contaram que policiais chegaram a jogar bombas contra eles dentro do hospital, mas a clínica nega a informação. Outras dez pessoas foram atendidas, mas os casos não eram graves e elas foram liberadas.

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