Acidente provoca aumento nas vendas em rodoviárias

Choque após tragédia fez muita gente que tinha compromisso agendado evitar viagens

Roberta Pennafort, do Estadão,

19 Julho 2007 | 22h26

O acidente em Congonhas alterou a rotina de quem costuma circular entre Rio e São Paulo. Na rodoviária Novo Rio, as quatro empresas que fazem esta linha registraram aumento na venda de passagens da ordem de 30% desde quarta-feira - uma indicação de que os cariocas estão preferindo ir por terra a se arriscar pelo ar, mesmo que a jornada seja acrescida de cinco horas. Muita gente que tinha compromisso agendado evitou viajar. Foi o caso do ator Eduardo Moscovis. Ele gravaria participação no programa de entrevistas de Marília Gabriela no canal GNT, na capital paulista, e ficou em casa. "Todo mundo ficou muito chocado com o acidente, com a falta de cuidado com as pessoas", disse ontem a mulher do ator, Cynthia Howlett. Ela contou que todas as gravações acabaram sendo remarcadas para a semana que vem, por conta da tragédia. A modelo Marcele Bittar, que estava no Rio participando de uma sessão de fotos para um catálogo, preferiu voltar para São Paulo de carro, conforme confirmou sua agência, a Ten Models. No aeroporto Santos Dumont, de onde decolam 144 vôos diários para Congonhas, o movimento foi bem abaixo do normal ontem, contaram funcionários. Nas rodas de conversa, o terrível fim do vôo 3054 e suas possíveis causas eram o tema predominante. Quem esperava a chegada de parentes e amigos tinha expressão apreensiva. "A gente sempre pensa que os acidentes não vão se repetir, mas é claro que preocupa", confessou Carlos Cassaro, que aguardava uma prima. O estudante Felipe Reis, de 24 anos, que foi para São Paulo na quarta-feira e retornou ao Rio ontem, disse que, em ambos os vôos, o tempo todo o clima foi de tensão - embora os passageiros evitassem o assunto. "Na terça-feira, o avião ficou sobrevoando Congonhas alguns minutos antes de pousar. As pessoas só relaxaram quando tocamos o solo. Foi um alívio".

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