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Rio de Janeiro

Acusados de matar cinegrafista no Rio vão a júri popular

Juiz considerou que Caio de Souza e Fábio Raposo Barbosa agiram com intenção de matar; Santiago Andrade morreu em fevereiro

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Fábio Grellet,
O Estado de S. Paulo

19 Agosto 2014 | 20h48

RIO - Os dois ativistas acusados de terem acendido o rojão que atingiu e matou o cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, durante um protesto realizado no centro do Rio em fevereiro passado, serão julgados pelo Tribunal do Júri.

A decisão foi anunciada nesta terça-feira, 19, pelo juiz Murilo Kieling, titular da 3ª Vara Criminal do Rio. Ele considerou que Caio Silva de Souza e Fábio Raposo Barbosa agiram com dolo (intenção de matar). Se considerasse que o homicídio foi culposo (não intencional), o julgamento caberia ao juiz, sem a participação do júri popular. A data do júri será marcada apenas depois do julgamento dos possíveis recursos impetrados pelas defesas.

Os acusados vão responder pela suposta prática  de homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, com uso de explosivo e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima). Na sentença de pronúncia, o juiz decidiu manter os réus presos. 

Fábio Barbosa está encarcerado desde 9 de fevereiro, quando foi preso no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. Caio de Souza foi preso três dias depois, em Feira de Santana (BA),para onde tinha fugido depois que a Polícia Civil do Rio descobriu sua participação no crime. Segunda a denúncia apresentada pelo Ministério Público, durante um protesto promovido na frente da estação Central do Brasil (centro do Rio), em 6 de fevereiro, Barbosa e Souza colocaram um rojão de vara no chão, perto de um canteiro e em meio à multidão, e o acenderam. 

Ao explodir, o artefato atingiu o cinegrafista, que sofreu fratura do crânio, hemorragia intracraniana e laceração encefálica. Socorrido, Santiago Andrade morreu em 10 de fevereiro. O advogado Wallace Martins, que defende Fábio Raposo Barbosa, criticou a decisão e informou que vai estudar eventual recurso. O advogado de Caio Silva de Souza, Antônio Pedro Melchior, não foi localizado pela reportagem.

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