Agentes penitenciários do Rio entram em greve a partir desta terça

Visitas ficarão suspensas e presos não serão conduzidos a audiências judiciais; servidores também deixarão de receber pessoas detidas pela polícia

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2017 | 20h05

RIO - Os 4.500 agentes penitenciários responsáveis por vigiar os 57 mil detentos que estão nas 52 unidades prisionais do Rio decidiram entrar em greve a partir da zero hora de hoje. A paralisação, por tempo indeterminado, foi decidida em assembleia nesta segunda-feira, 16, e nova análise só deve ocorrer em um encontro na segunda-feira – de forma que a paralisação vai perdurar por pelo menos sete dias.

Segundo Gutemberg de Oliveira, presidente do sindicato da categoria, serão mantidos apenas os serviços essenciais, como alimentação e tratamentos de saúde. As visitas estão suspensas e nenhum preso será conduzido a audiências. Os agentes também não receberão pessoas presas pela Polícia Civil. “A gente não recebe salário nem tem condições mínimas.”

O principal motivo da paralisação é o atraso nos salários. Desde o ano passado, o governo estadual vem atrasando e até pagando em parcelas. Os agentes penitenciários estão entre as categorias privilegiadas: eles recebem primeiro, juntamente com policiais civis e militares e bombeiros. Servidores ativos da Educação também estão nesse grupo. Apesar da prioridade, o salário de dezembro e o 13.º ainda não foram pagos.

A paralisação foi decidida em meio a uma crise nos presídios em todo o País, causada por uma disputa entre facções. Uma delas, o Comando Vermelho (CV), está em confronto direto com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Para evitar confrontos dentro da cadeia, nos últimos dias o governo redistribuiu detentos de Bangu, onde o clima é tenso. O Estado alega ter “um plano de segurança” para os presídios.

Polícia. Desde sábado, os policiais civis do Rio também fazem paralisação para receber salários. E enfrentam críticas da população, que não consegue registrar ocorrências nas delegacias. Os agentes fazem boletins apenas quando se trata de crimes violentos ou que exijam providências imediatas. / COLABOROU ROBERTA PENNAFORT 

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