EFE/Marcelo Sayão
EFE/Marcelo Sayão

Após ataques a UPPs, operação da PM no Alemão deixa cinco mortos

Corporação diz que bases foram atacadas e, para coibir ações criminosas, mobilizou o Bope para a operação nas primeiras horas da manhã

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2017 | 16h49

RIO - Pelo menos cinco homens morreram nesta quinta-feira, 4, durante confrontos entre criminosos e policiais militares no Complexo do Alemão. As favelas da região vivenciam conflitos diários desde o mês passado, quando a PM decidiu instalar uma cabine blindada no Largo do Samba, na comunidade Nova Brasília. O ambiente entre moradores é de medo. Há também protestos contra a ocupação, pela Polícia, de casas no complexo, e contra o grande número de mortes. Foram pelo menos onze, em menos de 15 dias, desde que a PM iniciou a instalação da nova estrutura.

Segundo a Polícia Militar, na madrugada desta quinta criminosos atacaram bases das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Complexo. Para coibir essas ações criminosas, policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram mobilizados e iniciaram operação nas primeiras horas da manhã.

Bandidos reagiram, atirando contra os policiais, e houve confronto, afirmou a polícia. Três suspeitos foram mortos na Rua Canitar, e com eles foram apreendidas duas pistolas, duas granadas e drogas. A Delegacia de Homicídios da capital foi acionada e fez perícia no local. Em outro ponto, os policiais apreenderam dois fuzis e drogas. 

A Polícia Civil confirmou que os mortos eram cinco - nem todos  mortos necessariamente em confronto com a polícia. Quatro eram suspeitos: Rodrigo Alves Monteiro, conhecido como Jamelão e apontado como gerente do tráfico de drogas num trecho do Alemão, e três homens que o Bope ainda identificava no início da noite junto à Delegacia de Homicídios. Havia ainda uma vitima sem antecedentes criminais. Chamava-se Wesley de Lima Cardoso, que morreu após ser socorrido ao Hospital Getúlio Vargas. 

A Polícia Militar mantinha a informação de que eram três os mortos. Não dispunha de informações sobre as outras duas vítimas.

Moradores informaram à Polícia sobre quatro pessoas que teriam ficado feridas e foram levadas para hospitais da região. Uma dessas pessoas tinha mandado de prisão em aberto e ficou sob custódia de policiais do 3° Batalhão (Méier) no Hospital Salgado Filho, no Méier (zona norte).

Por volta das 11h30 cerca de 100 moto-taxistas se reuniram para protestar contra a Polícia Militar. Segundo eles, a PM usa de violência contra moradores durante as operações realizadas no complexo. O ato foi pacífico.  A ação do Bope foi encerrada no início da tarde.

Também foram realizadas operações policiais no Parque Alegria, no Caju, e no morro da Serrinha, em Madureira (ambos na zona norte). Segundo a Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer, 5.571 alunos da rede municipal ficaram sem aulas devido a essas operações policiais no Rio. Estiveram fechadas seis escolas, cinco creches e seis Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs).

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