Cleber Junior/O Globo
Cleber Junior/O Globo

Após mortes, policiais que participaram de operação no Salgueiro prestarão depoimento

Ação no complexo de favelas em São Gonçalo deixou sete mortes no sábado passado; famílias acusam agentes, que negam envolvimento

Fábio Grellet e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2017 | 23h36

Correções: 13/11/2017 | 00h23

RIO - A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí tomará depoimento de policiais civis que participaram, na madrugada de sábado, de uma operação no complexo de favelas do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, onde sete pessoas morreram. Agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil fluminense, contaram com apoio de homens das Forças Armadas na busca de traficantes com atuação no local; as instituições negam relação com as mortes.

A Delegacia de Homicídios é a responsável pela investigação do caso e peritos também tentam identificar o tipo de arma usada nos crimes e quantos tiros atingiram cada vítima. No dia da operação, o Core alegou ter enfrentado “resistência armada” no local e ter apreendido um fuzil e sete pistolas, além de munições.

Ontem, duas vítimas do caso foram enterradas. O motorista de Uber Marcelo da Silva Vaz, de 31 anos, e o mecânico Márcio Melanes Sabino, de 21, foram sepultados à tarde no Cemitério Municipal do Pacheco, no centro da cidade, sob muita comoção. Cerca de cem pessoas acompanharam a cerimônia. 

Protesto. Familiares reforçaram as acusações contra os agentes da Polícia Civil, dizendo que, com auxílio de veículos blindados, o grupo chegou à favela, onde ocorria um baile funk, e passou a atirar a esmo, atingindo os moradores. 

Segundo a família de Vaz, ele morava no bairro de Porto da Pedra e foi ao Salgueiro para receber uma dívida. Casado, tinha quatro filhos. Sabino morava no Salgueiro, também era casado e deixa uma filha de 3 anos.

Os enterros dos outros cinco mortos durante a operação ainda não têm data prevista. Familiares reclamam que funerárias não dispõem de vagas nos cemitérios de São Gonçalo e cogitam transferir os enterros para outros municípios. 

Essas vítimas são Victor Hugo Coelho, de 28 anos; Luiz Américo da Silva, de 46; Bruno Coelho, de 26; Josué Coelho, de 19; e Lorran de Oliveira Gomes, de 18 anos.

Correções
13/11/2017 | 00h23

As mortes aconteceram na madrugada do sábado, não na de domingo, como informado inicialmente.

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