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Argentina é libertada após passar 4 anos em cárcere privado

- Atualizado: 23 Março 2016 | 17h 24

Presa pelo marido em um quarto em Vassouras, vítima sofria agressões, era estuprada e obrigada a urinar e defecar em um pote

RIO - Uma argentina ficou quatro anos mantida em cárcere privado pelo próprio marido em Vassouras, município localizado no sul do Rio de Janeiro. A vítima, de 37 anos, foi libertada na manhã de terça-feira, 22, pela Polícia Militar. O químico industrial Márcio Luiz Neves Ribeiro, de 38 anos, foi preso em flagrante.

A mulher ficava presa em um quarto na residência onde o casal vivia com os três filhos. Ela sofria agressões, era estuprada e obrigada a urinar e evacuar dentro de um pote. A argentina podia sair de casa apenas acompanhada por Ribeiro, que trancava a porta e levava a chave. Os três filhos do casal precisavam pular o muro para alcançar a rua.

Os policiais descobriram o caso a partir de uma denúncia feita por um dos filhos da vítima, uma adolescente de 13 anos, que presenciou o pai tentando enforcar a mãe. Os agentes informaram que precisaram de seis homens para imobilizar Ribeiro. Os policiais também relataram que a vítima estava machucada, psicologicamente abalada e foi levada para o Hospital Universitário Sul Fluminense. Ela foi atendida e liberada em seguida.

Machucada e abalada psicologicamente, a vítima foi levada ao Hospital Universitário Sul Fluminense

Machucada e abalada psicologicamente, a vítima foi levada ao Hospital Universitário Sul Fluminense

A mulher contou aos policiais que conheceu o marido na Argentina. Os dois estavam juntos havia 16 anos, mas o homem teria ficado violento há quatro. “Ele é muito ciumento. E aí me deixava presa, eu só podia sair com ele. As crianças me defendiam quando ele me agredia, as crianças gritavam. Eu gritava por socorro”, contou a mulher, em entrevista ao “Bom Dia, Rio”, da Tv Globo. Ela exibiu marcas dos ferimentos no corpo.

A vítima e os três filhos foram amparados pelo Conselho Tutelar de Vassouras. Eles estão hospedados na casa de um irmão de Ribeiro, que desconhecia a conduta do agressor. "Uma assistente social está acompanhando o caso. Ninguém tinha noção do que acontecia naquela casa", disse o conselheiro tutelar Hélio Luis da Costa Júnior.

O Consulado da Argentina no Rio informou que está em contato com a cidadã argentina, "procurando dar solução a suas necessidades imediatas". Para isso, a representação do país disse que conta com a "disposição e profissionalismo" da 95ª Delegacia de Polícia. "Por se tratar de uma questão tão delicada, é preciso acompanhar o processo com a maior discrição e cautela", disse a cônsul adjunto Florencia Riveros Abraham.

O delegado José Soares dos Santos, titular da 95ª DP, em Vassouras, informou que foi realizada perícia no local onde a mulher vivia. Ele acrescentou que um pedido para adoção de medidas protetivas à vítima foi encaminhado à Justiça. A mulher e os filhos já prestaram depoimento. Ribeiro foi indiciado pelos crimes de cárcere privado, tortura, estupro e resistência à prisão.

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