Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Beija-Flor vence no Rio com homenagem a ditadura africana

Escola de Nilópolis perdeu apenas 0,1 no quesito samba-enredo; em segundo ficou a Salgueiro, que exaltou na Sapucaí a comida mineira

O Estado de S. Paulo

18 Fevereiro 2015 | 19h01

Atualizada às 20h54

RIO - A Beija-Flor conquistou seu 13.º título do carnaval carioca com um enredo em homenagem à Guiné Equatorial, país pobre da África Ocidental que vive sob o regime de um mesmo ditador há 35 anos e do qual teria recebido R$ 10 milhões para o desfile - a escola confirma R$ 5 milhões. Com 269,9 pontos, ficou quatro décimos acima do segundo colocado, o Salgueiro. Em seguida, pela ordem, vieram Grande Rio, Unidos da Tijuca, Portela e Imperatriz. As seis voltam a desfilar no sábado, na Marquês de Sapucaí, a partir das 21h30. Durante o desfile da Beija-Flor, o vice-presidente de Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mangue, filho do ditador, dançava e cantava o samba. Ele ficou em um camarote particular com cerca de 40 convidados de seu país. A comitiva fechou um andar no Hotel Copacabana Palace, o dos quartos mais caros. Seu pai, Teodoro Obiang, não veio ao Brasil. Ele é bilionário, segundo a revista Forbes, enquanto a maior parte dos habitantes do país vive na miséria.

 

 

  Os dirigentes da Beija-Flor não se manifestaram sobre a questão. “Não existe essa polêmica. Tentaram jogar o povo contra nós, mas não conseguiram”, disse Nelsinho David, conselheiro da escola e membro da família de contraventores que comanda a Beija-Flor. Nas redes sociais, porém, não faltaram críticas.

Uma das favoritas ao título, a Mocidade Independente, que contratou no ano passado o carnavalesco Paulo Barros, grande vencedor dos últimos anos, acabou em sétimo lugar e, por isso, não estará no sábado das campeãs. Já a Viradouro, que subiu do segundo grupo em 2014, foi novamente rebaixada. Enquanto a Mangueira (10.º) teve a terceira pior classificação em 86 anos de história.

Histórico. Em 2014, a Beija-Flor terminou na sétima colocação e isso provocou uma série de protestos de seus dirigentes à Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio (Liesa), responsável pelo desfile. Ao longo dos últimos meses, 20 dos 36 julgadores de 2014 foram substituídos. O presidente da escola, Farid Abraão David, comemorou a vitória com ênfase. “Finalmente fizeram justiça.”

A disputa entre Beija-Flor e Salgueiro foi acirrada até o penúltimo quesito, enredo, no qual a diferença de décimos aumentou e praticamente selou a vitória da escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Seu desfile foi marcado pela habitual suntuosidade das alegorias e fantasias e pela garra tradicional de seus componentes, quase todos da comunidade. Eles haviam sido instados a “vingar” o insucesso de 2014 e tiveram de ensaiar exaustivamente.

 

 

O intérprete da escola, Neguinho da Beija-Flor, comemorou duplamente, pois completou 40 anos na azul e branco. “Quase morri do coração.” Desde o início da tarde, milhares de torcedores se aglomeravam fora e dentro da quadra da escola, à espera do resultado. A festa parou a cidade de Nilópolis.

A Grande Rio, três vezes vice-campeã do carnaval, mais uma vez chegou próximo da taça. O terceiro lugar surpreendeu, porque o enredo sobre baralho não teve bom desenvolvimento. Já o Salgueiro amargou novamente o segundo lugar - mesma colocação de 2014, 2012 e 2008. Com Rosa Magalhães, a São Clemente ficou em 8.º lugar, a melhor classificação em 25 anos.

Com enredo sobre os 450 anos do Rio, a Estácio de Sá foi a vencedora do Grupo de Acesso e vai desfilar entre a elite do samba em 2016. / CLARISSA THOMÉ, FÁBIO GRELLET, ROBERTA PENNAFORT e SÍLVIO BARSETTI

 

 

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