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Beltrame critica PMs acusados de estuprar três mulheres no Rio

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

07 Agosto 2014 | 18h 40

Secretário de Segurança do Rio esteve na Cidade da Polícia para acompanhar desarticulação de milícia conhecida por Liga da Justiça

RIO - O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, classificou como "monstruosa" a atitude dos quatro policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Jacarezinho, na zona norte, acusados de estuprar duas mulheres e uma adolescente nessa terça-feira, 5. "Uma pessoa que é um estuprador, isso vai da dignidade dele, do caráter, do que ele aprendeu em casa. Não há academia (de polícia) que vá fazer uma pessoa doente deixar de tomar uma atitude monstruosa como esta".

Beltrame pediu a expulsão sumária dos PMs para que respondam à Justiça comum. "Não é uma questão de preparo e nem erro de seleção, tem que analisar o caso a caso. A mesma polícia que errou anteontem na terça, apresentou um trabalho que nunca tinha sido feito". 

Nesta quinta-feira, 7, Beltrame esteve na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, acompanhando o andamento da Operação Tentáculos, que tem como objetivo desarticular a milícia conhecida como Liga da Justiça, maior e mais violenta quadrilha da zona oeste do Rio.

"A milícia está no Rio há 20 anos e nunca foi combatida. No início porque muita gente apoiava e hoje porque criou tentáculos, criou raízes difíceis de se combater. Mas a polícia está fazendo seu trabalho". Beltrame pediu que as pessoas que se sentirem subjugadas por milicianos passem a denunciar à polícia.

Crimes policiais. Questionado sobre o aumento da quantidade de crimes realizados por policiais, o secretário disse que "lidar com segurança pública no Rio não é nada fácil". Ele citou dados positivos como a redução de 7 mil homicídios e diminuição de casos de balas perdidas.

"Embora a polícia tenha seus defeitos e apresente problemas, esses dados são muito claros e transparentes de que a polícia é outra hoje, mas ainda tem alguns problemas pontuais. Estamos agindo, separando essas pessoas, punindo, e indo para frente", defendeu. O secretário também afirmou que houve redução dos autos de resistência. No entanto, reportagem publicada no Estado nesta quinta-feira, 7, mostra que houve aumento de 42,5% no primeiro semestre de 2014 em relação ao mesmo período de 2013.

UPP. O secretário de Segurança também comentou os ataques a policiais, principalmente em Unidades de Polícia Pacificadoras. "É lógico que a UPP é um desafio difícil, mas hoje a polícia está lá (na favela). Antes (a favela) era um pedaço da cidade que não existia, que estava na mão de um império (as facções), de um imperador (o chefe do tráfico). Hoje a polícia está lá e ali ela vai permanecer porque entendemos que sem atender essas áreas, o Rio de Janeiro não muda".

Beltrame voltou a defender mudanças na legislação, principalmente em relação à maioridade penal. "Temos um grande número de menores que voltam a praticar crimes porque assim a legislação permite", disse, acrescentando que pessoas que cometem crimes com penas inferiores a quatro anos de detenção não são detidas. "É realmente difícil".

"Essas leis permitem que as pessoas voltem a cometer crimes e a polícia tem que trabalhar uma ou duas vezes em cima daquilo que havia feito lá atrás". Para ele, "os órgãos responsáveis têm efetivamente que acolher (os menores infratores) e tentar recuperá-los". "Senão, tudo vai acabar na conta da polícia e menor de idade não é um problema de polícia, mas de acolhimento, de dar estrutura para que ele volte para a sociedade efetivamente em condições de conviver com ela".