Oscar Liberal/Iphan
Oscar Liberal/Iphan

Cais do Valongo, no Rio, recebe título de Patrimônio Mundial da Unesco

Brasil tem outros 13 sítios do Patrimônio Cultural, entre eles os centro históricos de Olinda e Salvador

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2017 | 16h46

RIO - O sítio arqueológico Cais do Valongo, na zona portuária do Rio de Janeiro, recebeu o título de Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco. O reconhecimento foi emitido neste domingo, 9, em reunião da Unesco realizada em Cracóvia, na Polônia.

O Cais do Valongo foi o principal porto de entrada de africanos trazidos ao Brasil e às Américas para que fossem vendidos como escravos. As estimativas apontam que pelo menos 500 mil negros chegaram ao continente desembarcando no Valongo. Alguns estudos, porém, indicam que o número de escravos que desembarcam no local chegou a um milhão.

O ancoradouro ficou pronto em 1811 e sofreu sucessivas transformações até ser aterrado, um século mais tarde. O local foi revelado em 2011, durante escavações das obras do Porto Maravilha. As pedras que formavam o cais foram preservadas e a cidade transformou o espaço em monumento preservado e aberto à visitação pública. Não é raro ver grupos de estudantes visitando o local para aulas de história.

Representante interina da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto exaltou o reconhecimento concedido.

 “O Cais do Valongo tem valor histórico, arqueológico e cultural, traz memórias de um período da história que não pode se repetir jamais e, por isso mesmo, precisa ser lembrado”, afirmou. “O seu reconhecimento internacional ressalta uma época muito importante para a formação da cultura brasileira e das Américas.”

O sítio integra o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que estabelece marcos da cultura afrobrasileira na região portuária, ao lado do Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito, Pedra do Sal, Centro Cultural José Bonifácio e Cemitério dos Pretos Novos.

Para a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bógea, o reconhecimento da Unesco tem um significado importante para a memória do País.

 “Esse sítio arqueológico é único, pois representa os milhões de africanos que foram escravizados e que trabalharam para construir o Brasil como uma nação, gerando a maior população de negros fora da África no mundo”, disse, durante a reunião na Polônia.“Estamos celebrando a Década Internacional de Afrodescendentes da ONU e a inscrição desse sítio na lista (de patrimônio mundial) reafirma o papel do Brasil como um lugar de diversidade e não somente um local de memórias dolorosas”, ressaltou.

O Brasil tem outros 13 sítios do Patrimônio Cultural, entre eles o centro histórico de Olinda e Salvador, além de sete sítios do Patrimônio Natural.

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